A opinião de ...

Bom dia, dia, vamos lá preparar para viver mais hoje.

Em linha de conta com as considerações genéricas, feitas na semana passada sobre a melhor maneira de enfrentar o inevitável envelhecimento, hoje volto ao mesmo assunto, com especial incidência e atenção para as últimas décadas da vida dos humanos, a chamada terceira idade, que, normalmente, começa por volta dos sessenta anos de idade.
Em termos genéricos, é nesta década que a quase totalidade das pessoas atingem a idade da reforma, a qual, para não ficarem sem pé do dia para a noite, deve ser atempada e cuidadosamente preparada.
Por mais brilhante que tenha sido o seu desempenho, rica a experiência, valiosas as competências adquiridas, ou importantes, poderosos e aparentemente insubstituíveis nos lugares que desempenharam, a partir desse dia voltam todos a ser pessoas comuns à sua insignificância, destinadas serem descartadas como trastes inúteis e pesos mortos sem interesse, sem o mínimo de consideração e de respeito por tudo o seu passado.
A partir dos setenta, será a própria sociedade que irá ignorá-los gradualmente. Os amigos e colegas com os quais socializavam, tornam-se cada vez menos presentes e muito dificilmente encontrarão quem os reconheça no seu antigo local de trabalho, nada lhes valendo dizer “Eu costumava ser”, “Eu era” ou “Eu fiz”, porque a geração mais nova olhará para eles de soslaio, sem o mínimo esforço para os ouvir.
Só então reconhecerão, dos muitos que consigo conviviam, quem eram os seus verdadeiros e sinceros amigos.
Com a chegada dos oitenta/noventa, as coisas irão ficar piores, acabando, não raro, por serem as próprias famílias a esquecê-los, e mesmo que estejam rodeados de filhos e netos, na maior parte dos casos estarão a viver quase sozinhos, porque eles falarão mais entre eles, independentemente do “chefe” de família que tenham sido ou da prosperidade que tenham proporcionado à família.
Quando os filhos eventualmente os visitam, absorvidos com estão com as suas coisas, as suas vidas e as vidas dos seus filhos, não passará duma expressão formal de respeito dirigida para o exterior.
Também aqui só os velhos amigos com que se identificaram continuaram a procura-los para conversar e conviver.
Especialmente agora, enquanto tiverem possibilidade de o fazer e se sentirem estimados pelos velhos amigos do passado, torna-se cada vez mais necessário viver cada minuto como se esse fosse o último das suas vidas, aproveitar para conviver, passear, participar em encontros e convívios, comer e beber o que apetecer, brincar, rir e fazer rir, sem se privarem de fazer aquilo de que gostam.
Lembrar aqueles que nunca os esquecem, cativar novos amigos, participar nos grupos de amigos e suas redes sociais, saudar as pessoas com um bom dia, boa tarde ou boa noite, ou um simples olá, e, porque custa pouco e fica bem, desejar a todos um dia de amanhã sempre feliz.

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