A opinião de ...

Investimentos certeiros

À primeira vista, quem passa pela autoestrada transmontana em direção a Bragança estranha o edifício que corta o monte que se apresenta pelo lado direito de quem chega ao Nordeste Transmontano, pouco depois de passar por Rossas.
Um monte, outrora selvagem, apresenta-se, agora, rasgado pelo betão e vidro de um novo edifício.
Trata-se do Hotel Água, em Pinela, ontem inaugurado com a presença de diversas individualidades, mas que representa um investimento superior a dez milhões de euros.
Se, no litoral, dez milhões confundem-se com a paisagem, no Nordeste Transmontano saltam imediatamente à vista, não só pela dimensão mas pela quantidade de postos de trabalho, diretos e indiretos, que permitem criar.
Como dizia o investidor, Adriano Martins, avançar com projetos destes no interior do país é muito mais difícil do que no litoral. Seja porque os custos são maiores, seja porque a rentabilidade é menor.
É precisa uma grande dose de coragem, de resiliência para não esmorecer a meio, e de fé, para acreditar que tudo se conjugará da forma correta.
Partindo este investimento de um grupo com experiência e provas dadas no setor do turismo, deixará os transmontanos mais descansados. Basta pensar no que o primeiro investimento do grupo fez por Mondim de Basto, naquela que é, atualmente, uma das sete unidades hoteleiras do grupo Água Hotels e das que tem maior taxa de ocupação.
Para além do facto de este investimento ter surgido junto a uma aldeia, permitindo alavancar a economia local.
Este investimento pode ser a âncora que ajude a fixar jovens naquela zona e no próprio concelho de Bragança mas, também, que potencie o aparecimento de novos negócios, seja na restauração, no fornecimento de produtos que, forçosamente, o hotel terá de consumir e, até, na área das atividades turísticas, que continua muito tímida por estas bandas.
É de mais investimentos semelhantes que a região precisa para se poder assumir como destino alternativo aos grandes pólos, como Porto ou Lisboa, cada vez mais massificados.
Como dizia o Secretário de Estado do Turismo no seu discurso, cabe ao Estado, se não ajudar, pelo menos não atrapalhar estes empresários que se dispõem a investir e a arriscar numa região como a nossa.

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