A opinião de ...

Salvar a face?

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, teve de pôr de lado a dieta que vinha fazendo para engolir um grande e valente sapo.
Depois de ter dito, em abril, uma coisa sobre a localização dos meios aéreos de emergência do INEM, veio agora, a 03 de junho, desdizer-se e afirmar precisamente o contrário.
O problema: ambas as intervenções estão registadas em vídeo (que pode ver no site do Mensageiro de Bragança) e são clarinhas como a água.
Não adianta vir atirar areia para os olhos dos portugueses e dizer que foi uma questão de interpretação. Ana Paula Martins disse o que disse e agora veio dizer o contrário, como se não tivesse dito antes o que disse.
Não há mal nenhum em mudar de ideias.
O mal é querer enganar os portugueses. Sobretudo se for um governante.
Ana Paula Martins leu uma declaração na Assembleia da República em abril. Está visto que não sabe o que leu. Alguém lhe escreveu aquilo para ela o afirmar cheia de convicção.
Fica, agora, claro que as medidas então elencadas para a refundação do INEM não são bem aquilo. Sinónimo de falta de planeamento. E de responsabilidade, ao não se assumirem as posições tomadas.
Por esclarecer fica ainda muita coisa. O próprio INEM já tinha vindo dizer que o contrato atualmente em vigor, até 2030, é para ser cumprido. O que ainda ninguém teve coragem de vir assumir é o que vai acontecer depois disso.
Recentemente, numa entrevista à SIC, o presidente do INEM deixou escapar que gostaria que fosse feita essa reflexão, sobre os meios do INEM e a sua localização.
Quer isto dizer que a ideia de deslocalizar os helicópteros é do presidente do INEM e que a Ministra a 'comprou' sem antes acautelar as consequências para a população e mesmo para o partido do Governo?
Mais um erro de palmatória de uma Ministra que parece cada vez mais a prazo e que só ainda não foi substituída porque Luís Montenegro sabe bem que qualquer Ministro que ponha na pasta será triturado na praça pública, pois a Saúde está completamente doente em Portugal.
E esta falta de rumo, aliada à falta de vergonha em mentir descaradamente aos portugueses, em pleno parlamento, só vem contribuir para o desnorte.
A Ministra tentou agora salvar a face, atirando culpas para a distorção mediática. Como se a culpa das declarações que proferiu fosse dos jornais. Ou, agora, é um problema os jornalistas terem cérebro e saberem usá-lo?

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