Sindicato alerta para possibilidade de o distrito perder uma ambulância SIV
O alerta é do Presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar do INEM que tece duras críticas às medidas que a Ministra da Saúde pretende implementar. Rui Lázaro vai avisando. “Vai morrer mais gente no Interior do País”.
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar do INEM alerta para a possibilidade de estar em cima da mesa o distrito de Bragança poder vir a perder uma das duas ambulâncias SIV – Suporte Imediato de Vida – que atualmente estão sediadas em Mirandela e Mogadouro. “É o que depreendemos da palavras da Ministra da Saúde na Conferência de Imprensa, no meio do Conselho de Ministros, quando foi aprovada a lei orgânica do INEM, que de resto ainda não conhecemos ao detalhe”, ressalva Rui Lázaro, natural de Torre de Moncorvo.
A ministra disse que as ambulâncias próprias do INEM "iam passar a ficar integradas nas ULS, com pelo menos uma ambulância SIV e uma ambulância de emergência médica, esta na retaguarda, só com técnicos, sobretudo para as transferências hospitalares”.
Ora, para o dirigente sindical, isto “abre a porta para que a ULS do Nordeste, venha a ter só uma ambulância SIV”, conclui.
Rui Lázaro entende que “reduzir o número destas ambulâncias, que por si só já são insuficientes e que em muitos casos já demoram mais de 40, 50 minutos para chegar, é prejudicar claramente os cidadãos desta região”, acredita.
Também não poupa nas críticas à intenção já confirmada pela Ministra da Saúde de retirar o helicóptero do INEM, sediado em Macedo de Cavaleiros, para o hospital de S. João, no Porto, a partir de 2030 – considerando que é uma medida “desajustada, sem qualquer fundamentação técnica, nem operacional”, diz.
Para Rui Lázaro, esta medida vem claramente “agravar as assimetrias regionais entre o interior e o litoral”, aumentando o risco para a vida e segurança das populações do distrito de Bragança.
“Deslocar estes helicópteros para o litoral vai aumentar, em cerca de uma hora, ou quase uma hora, o tempo que esta aeronave demora a socorrer um cidadão do interior, e não é aceitável. Em muitos casos, fica fora da janela do tempo internacionalmente recomendada”, frisa.
Para além disso, o líder do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar do INEM, não entende esta medida, tendo em conta que, atualmente, é o meio aéreo do país com a maior média de missões. “Nos últimos dois meses, os helis de Macedo e Viseu realizaram um total de 115 missões, das quais 85 em período diurno e 30 em período noturno”, lembra, considerando que “estes números representam uma média de 690 missões por ano. São 690 vidas dos nossos concidadãos salvas por este serviço essencial", conta.
O dirigente sindical não tem dúvidas que a eventual retirada, deslocalização ou desativação noturna do meio aéreo, representa “um grave retrocesso na coesão territorial e na igualdade de acesso aos cuidados de saúde de emergência, penalizando populações já afetadas pela desertificação, menor número de meios de emergência médica e hospitais, e perda progressiva de serviços públicos essenciais”.
Perante isto, Rui Lázaro diz não ter dúvidas de que as medidas propostas por Ana Paula Martins "vão provocar mortes no Interior do País”.
