D. Nuno Almeida sublinhou na Missa Crismal que a vocação dos sacerdotes "é amar"
O bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, sublinhou esta Quinta-feira Santa, na Missa Crismal, que decorreu na Catedral, em Bragança, que a vocação dos sacerdotes "é amar".
"“Ungidos e enviados” pois a nossa vocação é amar. A nossa vida sacerdotal é feita para amar. “Amar é tudo dar” - dizia Teresa do Menino Jesus. Porque acreditamos e confiamos, amamos e damo-nos. E há fecundidade!", sublinhou o prelado, durante a homilia da eucaristia em que se benzeram os santos óleos que serão utilizados nas celebrações religiosas durante este ano, e que foram uma oferta do Convento de Balsamão, dos Marianos.
"«O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu» (Lc 4,18) constitui, de facto, a maneira mais bela e profunda de o presbitério de uma Diocese poder afirmar em uníssono a sua identidade diaconal, e não patronal. É mesmo a única maneira de podermos dizer quem verdadeiramente somos. Afirmar a grandeza e a dignidade da nossa vocação e missão: ungidos e enviados para anunciar o Evangelho aos pobres!
É bom recordar a advertência do Papa Francisco: “A unção, caros irmãos, não é destinada a perfumar-nos a nós mesmos, nem muito menos para que a conservemos num vaso, porque o óleo se tornará rançoso … e o coração amargo.” (Papa Francisco, Missa Crismal de 1013). A unção que está em nós é para todos, sobretudo para os mais afastados, para aqueles que precisam de consolação, de conforto e de esperança", disse, durante a homilia.
D. Nuno Almeida sublinhou, ainda, que os sacerdotes nunca estão sós. "Aprendemos, mais uma vez, que a nossa identidade presbiteral é relacional e o nosso ministério é sinodal, é tudo menos solitário. Só pode ser profunda e radicalmente solidário! No nosso ministério nunca estamos sós. Bispos, pastores e padres formamos um presbitério, uma família, uma fraternidade sacerdotal. A resposta ao Senhor é pessoal, mas não é solitária, é coral, sinfónica e solidária", disse.
"Somos presbitério de Ungidos, desde o bispo, aos sacerdotes, aos diáconos, ao povo de Deus crente e fiel. Ungido diz-se em hebraico Mashîah, e em grego Christós, termos que, em português, soam Messias e Cristo. O Ungido por excelência é, então, Cristo, Jesus Cristo, Jesus Ungido, e d’Ele todos sabemos que, enquanto Ungido com o Espírito Santo, passou pelo meio de nós fazendo o bem e curando e libertando e amando até ao fim, intensa e plenamente, porque Deus estava com Ele (At 10,37-38). Só configurados com Cristo, cristificados, podemos viver e agir in persona Christi Capitis ou in persona Christi Servitoris, na pessoa de Cristo Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja, ou na pessoa de Cristo Servo do seu Corpo, que é a Igreja. É assim que dizemos hoje, nesta Quinta-Feira Santa, a nossa identidade Sacerdotal e Diaconal.
“Ungidos e enviados” pois a nossa vocação é amar. A nossa vida sacerdotal é feita para amar. “Amar é tudo dar” - dizia Teresa do Menino Jesus. Porque acreditamos e confiamos, amamos e damo-nos. E há fecundidade", continuou D. Nuno Almeida.
O prelado lembrou ainda que "numa sociedade violenta e fraturada, a unidade da fraternidade sacerdotal interpela as consciências".
"Jesus orou pelos seus discípulos para que sejam um (cf. Jo 17, 22). A unidade vem da oração entre o Pai e o Filho no Espírito. A unidade fraternal do corpo presbiteral deve ser alimentada de amor, do amor de Deus. Neste estaleiro desafiante da fraternidade sacerdotal haverá sempre lentidões e cansaços, porque vivemos com a nossa humanidade. Estes obstáculos não nos devem paralisar. Pelo contrário, eles encorajam-nos a encontrar a força da unidade e do amor não em nós mesmos e nas nossas forças, mas no amor de Deus. Partindo só do nosso amor, a fraternidade sacerdotal será frágil; partindo do amor de Deus, ela será forte", apontou.
O bispo de Bragança-Miranda lembrou que "há poucos dias, através da Rede Mundial de Oração, o Papa Leão XIV afirmou que “os presbíteros não são funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e estimados, e pastores amparados pela oração de seu povo"". "Por isso, pediu especiais orações “pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte do que a esperança.”
O Papa acrescentou: “Pai bom, ensina-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos presbíteros: a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição, a partilhar com eles a missão batismal de anunciar o Reino com gestos e palavras, e a acompanhá-los com proximidade e oração sincera. Que saibamos amparar aqueles que tantas vezes nos amparam”", destacou D. Nuno Almeida.
A terminar a homilia, o bispo de Bragança-Miranda disse que o óleo do Crisma hoje consagrado, e os óleos dos enfermos e dos catecúmenos que foram benzidos, "constituem, no meio de nós, um autêntico manancial ou programa de vida". "Igual ao de Cristo. Outros Cristos, Ungidos no coração, para levar o anúncio do Evangelho a todos os nossos irmãos.
Sem ingenuidade e sem artifícios, pois somos chamados a ser pastores e não atores, é necessário difundir o movimento da bênção à nossa volta. Essa bênção não se reduz a um gesto litúrgico. Ela é um projeto de vida e de felicidade para os crentes e buscadores de sentido num mundo que tantas vezes entra em hibernação espiritual.
Se somos outros Cristos, Ele está connosco, em nós (Gl 2, 20), no meio de nós. A vinha, a seara, a messe e a plantação são d’Ele. A Ele a honra, a glória e o louvor para sempre", concluiu.
No final da celebração, foi lido autógrafo apostólico, escrito e assinado pelo próprio Papa Leão XIV, endereçado ao Pe. Telmo Ferraz, que cumpre este ano 100 anos de vida e 75 de Ordenação Sacerdotal, pela sua vida apostólica.
Nesta Eucaristia foram ainda assinalados os 25 anos de Ordenação Episcopal de D. António Montes, Bispo Emérito da diocese, os 25 anos de Ordenação Sacerdotal do Pe. José Rocha e os 50 anos de Consagração da Ir. Emília Faustino e da Ir. Sameiro Vieira.
