A opinião de ...

Quanto mais alto se sobe...

Se há coisa que esta década que vivemos desde o início de 2020 já nos ensinou a prever é que não adianta fazer grandes previsões.
O ano de 2020 até começou solarengo. Frio, mas com sol, que animou o Conselho de Ministros que se realizou em Bragança, no início de março desse ano. As previsões eram otimistas para o que aí viria. Semanas depois, estávamos quase todos fechados em casa, no primeiro de dois grandes confinamentos provocados por uma das maiores pandemias a que já se assistiu.
Dois anos depois, quando a economia começava a arrebitar depois da convalescença do COVID, a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou uma crise energética e uma escalada de preços, com grande impacto na inflação. Isso levou a uma escalada também dos preços dos juros e, consequentemente, das prestações ao das casas pagas aos bancos. Resultado, quando as previsões apontavam para uma melhoria económica, quase todos sentimos que ficámos mais pobres.
Já este ano, por mais previsões que se façam, ninguém acertou no fenómeno meteorológico extremo que marcou os primeiros meses de 2026 e levaram a nova onda solidária nacional. Com a quantidade de recursos que será necessário desviar para a reconstrução da zona centro do país, ninguém se poderá atrever a prever quais e que tipo de projetos serão afetados.
A somar a essas imprevisibilidades, soma-se a subida ao poder num dos países mais influentes do mundo de uma personalidade tudo menos estável. Os humores de Donald Trump variam ao sabor da própria ignorância e levaram a uma nova crise energética, com os preços dos combustíveis a subirem para valores nunca vistos.
Podem dizer-me que tem a ver com a valorização e desvalorização do dólar, com os mercados, com o que quiserem. O que é facto é que mal começaram os problemas com o Irão, os preços rapidamente subiram, mesmo se os combustíveis que estava a ser vendidos nas bombas naquela altura ainda tinham sido transacionados a valores muito inferiores ao que custava já o barril de petróleo. E se os preços ao consumidor rapidamente sobem quando se fala na subida do crude, o mesmo não acontece quando o preço do barril de petróleo desce.
Prova disso é a missiva que o ministro das Finanças português e os seus homólogos da Alemanha, Espanha, Itália e Áustria enviaram a Bruxelas, pedindo a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas, semelhante às medidas para conter a crise energética de 2022.

Na carta, estes responsáveis admitem a existência de “distorções do mercado e restrições orçamentais”.
Enquanto isso, o preço dos combustíveis sobe, sobe. Para quando o anunciado tombo

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