A opinião de ...

Pensar o futuro

Em pleno mês de maio assistimos, por estes dias, o termómetro a subir para temperaturas próximas dos 40 graus. Uma onda de calor que atravessa toda a Europa e que também chega a Portugal, fazendo lembrar o que aconteceu há apenas dois anos.
Em 2024, o mês de maio também trouxe um calor inusitado para a época primaveril que se vive nesta altura do ano.
Os especialistas alertam que fenómenos como este serão cada vez mais frequentes e cada vez mais duradouros.
Ora, no Nordeste Transmontano, as temperaturas vivem-se de forma especialmente intensa. Não é por acaso que já os antigos diziam que, por aqui, há nove meses de inverno e três de inferno.
Culturas como as do castanheiro, da nogueira, do olival, da cerejeira, do pessegueiro ou da amendoeira ficam particularmente expostas aos humores da meteorologia que, a cada ano, ficam cada vez mais caprichosos.
Em 2026, então, espera-se um verão particularmente difícil nesse aspeto, até porque, segundo os mesmos especialistas, está a formar-se um "super-El Niño" que promete abalar os recordes de temperaturas este verão.
Com ele vem o aumento do risco de incêndios e, também, o de secas.
Importa, por isso, olhar para o futuros com olhos de ver. Isto é, de planear, sabendo que os cenários catastróficos irão acontecer, com maior ou menos intensidade.
A gestão da água é, por isso, um tema da maior importância para uma região que se habitou a olhar para ela apenas de passagem, rumo ao mar.
É tempo de pensar em retê-la.
Seria estrategicamente de grande importância, seja para controlar riscos de cheias, seja para acautelar os períodos de seca, que serão cada vez mais prolongados, e os riscos de incêndio, pensar em construir barragens no Nordeste Transmontano, que possam servir de reservas estratégicas mas, também, de aproveitamento do potencial agrícola que esta região tem.
Veja-se o que aconteceu no Alentejo desde que o Alqueva desencalhou. Germinaram os projetos de investimento, seja na agricultura, seja no turismo, e a região ganhou uma nova vida em torno daquela imensa massa de água.
Por cá, continuamos a ver passar os rios até ao mar. Mas só enquanto houver água...

Mais uma semana se passou e da Ministra da Saúde continua sem se ouvir uma palavra de esclarecimento sobre as declarações no Parlamento.
Será que os milhares de transmontanos não têm direito a uma palavra da Senhora Ministra? Ainda por cima, na terra do próprio Primeiro-Ministro?
E de Luís Montenegro, também não se ouviu nada.
Mais do que ensurdecer, este é um silêncio desrespeitador. Porque aqui há portugueses e não são de segunda nem de terceira. São de primeira, como os de Lisboa ou do Porto. Podemos ser menos, mas merecemos o mesmo respeito que todos os outros. Afinal, aqui também é Portugal.

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