D. Nuno Almeida alerta em Balsamão para perda do sentido religioso das festas populares
O bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, alertou para o esvaziamento da dimensão religiosa das festas populares e para a crescente sobrevalorização dos espetáculos, na intervenção que apresentou nas XXIX Jornadas Culturais de Balsamão, realizadas entre quinta-feira e domingo, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Dedicado ao tema “A Festa em Trás-os-Montes: Entre o Sagrado e o Profano”, o encontro reuniu reflexões sobre as romarias, as feiras e as celebrações que marcam a identidade das comunidades transmontanas, numa organização do Centro Cultural de Balsamão e do Convento de Balsamão.
Na sessão de domingo, intitulada “Deus é a Festa”, D. Nuno Almeida defendeu que as componentes religiosa e recreativa das festividades podem coexistir, formando um conjunto harmonioso, mas sublinhou a necessidade de preservar a identidade dos atos de culto.
“O ato religioso não pode laicizar-se; não pode ser tratado como peça de museu, ou ser visto apenas nas suas potencialidades para o desenvolvimento da indústria turística, ou utilizado para fins político-partidários”, afirmou.
O prelado esclareceu que “profano não significa imoral ou ofensivo, significa apenas não religioso”, abrangendo o convívio, a música, a gastronomia e outras manifestações da vida comunitária. Na sua perspetiva, estas expressões são legítimas e devem integrar-se na festa, sem se contraporem à dimensão religiosa.
