A opinião de ...

A pergunta do milhão de euros

Como pôde ler nas páginas que antecedem este editorial, o desempenho da economia transmontana no ano de 2025 "não foi brilhante", nas palavras do economista e investigador transmontano, Paulo Reis Mourão.
Apesar de ter havido um pico de aprovação de projetos, a injeção de capital na região ainda não se fez sentir no bolso dos cidadãos.
A região está cheia de potencialidades mas não acaba de as concretizar. Um pouco como acontece no país desde há mais de 300 anos.
No diagnóstico que é feito nas páginas anteriores, até pela presidente da ACISB, falta gente na economia da região. E isso é verdade há vários anos.
Como se consegue atrair um número maior de visitantes ao Nordeste Transmontano?
Essa é a pergunta do milhão de euros, cuja resposta se procura há séculos.
Desde os inícios da portucalidade, que os governantes procuraram povoar as terras de fronteira, como forma de respaldar e instituir a soberania nacional.
Por isso se foram atribuindo privilégios a quem vinha morar para estas terras da raia. Outras, eram mesmo enviadas à força.
Foram instituídas feiras (na prática, uma forma de fomentar as trocas comerciais que levam a um aumento de riqueza e ao estímulo da economia, ajudando a atrair gente) e privilégios com um conceito que ainda hoje é muito propalado, a discriminação positiva. Ou seja, isenções de taxas e impostos para determinadas regiões,d e forma a torná-las mais atrativas. Porque os seres humanos só se estabelecem onde tiverem meios de subsistência. Sempre assim foi desde o tempo das cavernas.
Ora, nos últimos tempos assistimos à inversão desta dimensão, com o próprio Estado a lutar pelo não pagamento de impostos locais por parte de grupos económicos que apenas beneficiam da riqueza da região e cá nada deixam. Nem empregos nem impostos. Isso aconteceu com as barragens.
Outro aspeto seria, também, a descentraliozação de serviços públicos do litoral para o interior, nomeadamente daqueles cuja localização geográfica não interefere com o seu funcionamento, para além do comodismo de alguns poucos. Aliás, para um funcionário público, cujo ordenado é o mesmo em Lisboa ou em Bragança, só haveria vantagens em morar no interior, pois o custo de vida é muito inferior no Nordeste Transmontano.
Também a realização de eventos marcantes e diferenciadores serve de atração de pessoas, neste caso turistas, que contribuem para a economia. É preciso criar uma dinâmica na região, pensar em eventos em grande, articulando meios e datas, para haver união, que faz a força, e não desmultiplicação de ganhos por pequenos eventos que competem entre si em vez de se complementarem, fazendo com que todos percam. Visitantes e visitados.

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