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Quem matou a bombeira Maria João Carneiro? Apresentem-se os reús

Morreu a bombeira Maria João Carneiro, atingida pela queda de uma árvore de grande porte, quando se encontrava a combater um grande incêndio florestal.
Foi assim, desta maneira árida e seca, com a mais boçal das naturalidades, que, na semana passada, a generalidade da comunicação social, transmitiu para todo o país a notícia da morte trágica desta jovem bombeira, que deixou destroçada pela maior das dores deste mundo a sua família e comoveu até às lágrimas tanto os companheiros da sua Associação de Bombeiro, como a grande maioria dos bombeiros português e as gentes da sua terra, que a viram nascer e estimavam como se duma filha se tratasse.
Depois foi a presença e o habitual desfile dos hipócritas e figurões a dar os sentimentos à família destroçada pela dor, escravos parasitas da preocupação de cumprir o politicamente correto, de evitar o que possa ficar mal, preocupados em explorar até ao limite o que pode ficar bem e, mais importante que tudo isso, chegar cedo às cerimónias do funeral para ficar nas primeiras filas e garantir a presença nas televisões.
Não é assim que se respeita a memória de ninguém, e muito menos a duma jovem como a Maria João, que uma tragédia como esta, vitimou na primavera da vida, quando, no exercício da sua missão de bombeira voluntária, avançou corajosamente para a primeira linha do combate a um grande incêndio, movida única e exclusivamente, pela preocupação de ser útil ao seu próximo e proteger as pessoas e os bens de quem precisava da sua ajuda.
Também não é assim que se louva a ação benemérita e reconhece o esforço dos milhares de bombeiros voluntários dum país como o nosso que, muitas vezes, dispondo apenas do mínimo necessário para cumprirem a sua missão, sempre que são solicitados, fazem autênticos milagres para garantir a segurança das pessoas e dos seus bens.
Também não pode continuar a ser assim e que, em casos como este, se continuem a resolver as coisas, imputando as culpas à queda das árvores de grande porte, até porque, ao que consta, as árvores não escolhem a hora nem o sítio onde querem cair, nem têm a capacidade de prever o sítio ou as horas que os incendiários escolhem para dar largas aos seus instintos criminosos de atearem os incêndios.
Porém, porque quem o inimigo poupa nas mãos lhe morre, não só pela morte da Maria João, mas também por ela e pela perda dos 257 bombeiros mortos em serviço nos últimos 46 anos, é inadiável que, para por cobro a estas tragédias, se faça tudo o que tiver de ser feito, começando, para tal, por acolher e dar seguimento à vontade do povo e das vítimas dos incêndios.
Entenderam bem, ou acham que é preciso explicar melhor?

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