Futebol Nacional e de repente estalou o verniz!
ara que conste, começo por cortar de raiz toda e qualquer intenção, tácita ou explícita, de menosprezar a brilhantíssima carreira do futebolista madeirense, senhor Cristiano Ronaldo.
Como se Portugal não tivesse mais nada com que se preocupar e a vida das pessoas e dos países começasse e acabasse nos estádios de futebol, vinda do nada, uma brutal paranoia futeboleira, explorada até à exaustão, para todas as teorias e para todos os gostos, desabou na semana passada sobre todo o país, seriamente traumatizado com a maneira como estava a ser tratado o seu ídolo da bola, ao qual, segundo eles, e bem, o país tanto deve, o que de resto é incontestável.
Contudo, analisando globalmente a sua carreira, é no mínimo desonesto esquecer o quanto foram importantes, para potenciar as qualidades e valorizar a carreira do menino madeirense, tanto as condições de que lhe foram propiciadas, como todo o apoio que lhe foi prestado, condições estas, sem as quais, como aconteceu a tantos outros meninos, quem sabe, se tão ou mais prendados do que ele, muito dificilmente passaria da cepa torta.
Foi neste contexto que, do dia para a noite, rebentou a bomba que, na semana passada fez estalar o verniz no mundo da bola, ao que parece por um simples mal entendido, com o epicentro no jogador Cristiano Ronaldo, no treinador FPF Jorge Jesus e no Presidente da FPF o doutor Pedro Proença, cujo envolvimento neste caso merece ser analisado de acordo com a interferência e as responsabilidades de cada um.
No que concerne ao jogador Cristiano Ronaldo, o centro de todo este terramoto, sem por em causa a sua brilhante carreira, lembra-se que nada é eterno no reino dos mortais, que são incontáveis os ídolos com pés de barro que, durante a já multimilenar história da humanidade, caíram fragorosamente do alto dos seus pedestais.
Porque não há nada que, num homem como ele, que tanto é bajulado, criticado, admirado e até adorado até aos limites do irracional, justifique que se torne escravo duma ambição cega e sem limites, ceda à tentação de voltar às birrinhas infantis, de se deixe cair na tentação de se julgar que é eterno e enganar pela ilusão nem pela bajulice hipócrita de muitos dos que o cercam, tentando convencê-lo de que é o grande senhor que tem todo o mundo a seus pés.
Na esperança de que, pelo muito que está em causa, espera-se que esta crise, tão inoportuna quanto lamentável, no interesse de todas as partes que nela se viram envolvidas, acabe por ser resolvida tão rapidamente quanto possível.
