A opinião de ...

É fatal: cuidado, porque quem gasta o que não tem, a pedir vem

Os últimos números divulgados da execução orçamental no primeiro trimestre do corrente ano, contrariam as opiniões da grande maioria dos mesmos políticos de trazer por casa, papagaios e opinantes de algibeira de sempre, que em números muito difíceis de contar, se pavoneiam e infestam tudo o que são rádios, jornais e televisões.
De gente como esta, que não sabe, não pode ou não tem a capacidade e a honestidade de reconhecer e a coragem de alertar para os riscos de, na atual conjuntura global, um pequeno país como Portugal, totalmente dependente das regras do mercado internacional, que já nem sequer é capaz de produzir as batatas e o pão nosso de cada dia para alimentar o seu povo, o mínimo que seria de esperar, se não sabem nem são capazes de fazer melhor, era que tivessem a dignidade e o bom senso estar calados, atitude que o nosso povo, reconhecidamente, lhes iria agradecer para sempre.
Por mais jeito que possa dar e, em determinadas circunstâncias, por mais cómodo e agradável que possa parecer, quer seja para não ferir suscetibilidades de terceiros, ou para não por em causa interesses próprios ou alheios, passar para segundo plano a realidade do dia a dia das pessoas, das organizações e das próprias nações, não há nada que possa justificar que a quem foi investido para tomar as grandes decisões de interesse comum, custe-lhe o que lhe custar e doa a quem doer, falte a coragem e a lucidez de as tomar na hora certa porque, â velocidade estonteante com que as coisas acontecem, como diz a cantiga, “amanhã pode ser tarde de mais”.
Face à dimensão preocupante dos números agora divulgados, está esgotado o tempo para que esta espécie de país do faz de conta e do todos à molhada e seja o que Deus quiser, possa continuar a viver de esquemas e de habilidades, sentado à sombra da bananeira, esperando que, melhor ou pior e mais cedo ou mais tarde, as coisas acabarão por se resolver por si próprias.
Nada mais falso, mais arriscado e mais perigoso.
Por mais que isto seja incómodo e custe a aceitar, se a execução orçamental continuar a revelar-se deficitária, queira-se ou não se queira, as coisas poderão acabar por ficar mesmo muito pretas.
Alarmismos à parte, o fantasma da intervenção duma nova troica, (ainda se lembram da primeira?) pode deixar de ser uma simples hipótese académica para rapidamente se transformar num enorme pesadelo, situação que, condimentada com os riscos, nunca despiciendos, duma possível recessão prevista para 2027 e do disparar das taxas de juro da dívida pública, rapidamente se poderá transformar num enorme barril de pólvora, pronto a explodir quando menos se esperar. E depois?

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