Mateus 25
Muitos dos políticos contemporâneos, alguns bens conhecidos da nossa praça pretendem fazer-nos crer que a ideologia com que nos querem convencer pela suposta bondade dos seus objetivos se baseia na doutrina social da igreja e, com isso, embrulham uma catrefada de lugares comuns, meia-dúzia de frases feitas, um razoável reportório de slogans contra supostos poderosos corruptos e um infindável rosário de insultos sobre os pobres, miseráveis, indefesos, desvalidos e vulneráveis. Há até dirigentes que, em dias de eleição, fazem saber que, antes de se encontrar com jornalistas, apoiantes e demais curiosos ou interessados têm, por obrigação de ofício, de assistir à missa vespertina e só à saída poderão pronunciar-se sobre qualquer escrutínio, entretanto fechado. Sem exceção saem do templo, com uma fingida aura de pretensa santidade, a debitar percentagens de participação e projeções de resultados levantando sérias dúvidas sobre o conteúdo da prédica dominical.
Recentemente, num programa televisivo, um senador americano, democrata ligado a um ramo do catolicismo, confrontado com atitudes de colegas seus, republicanos, igualmente demagógicos, supostos seguidores dos ensinamentos bíblicos e que, por tudo e por nada, recorrem ao Livro, este respondeu que lhes atirava: “Eu sou Mateus 25!”
S. Mateus, o cobrador de impostos, era, quiçá, o apóstolo mais culto da dúzia que acompanhou Jesus Cristo nas Suas deambulações pela Palestina. Talvez por isso a sua sensibilidade para determinados capítulos da prédica cristã deixando-nos, desse tempo, um relato sentido com ênfase em aspetos intemporais que, sendo inovadores “in illo tempore”, continuam atuais e cada vez mais necessários serem trazidos à colação no tempo de agora. Destes, o capítulo 25 sobretudo os versículos 34 a 40, constituem não só uma definição completa da verdadeira doutrina social cristã, mas sobretudo e, igualmente, uma censura aos atuais fariseus que por aí andam e que devendo ler e refletir sobre os versículos de 37 a 40 (“Então os justos responder-Lhe-ão: ‘Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente e na prisão e fomos visitar-Te?’ E o Rei dir-lhes-á em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais simples e humildes, a Mim mesmo o fizeste’”)
Se, porventura, tal lição do melhor e mais puro que há na mensagem trazida, há dois milénios, pelo Nazareno, os não sensibilizar suficientemente então, outro remédio não terão que não seja continuar a leitura até ao final do referido capítulo… dele tirando as devidas conclusões ou, então, que se calem com hipocrisia de quererem vender-nos gato por lebre ou, mantendo a tónica bíblica, os que o mesmo S. Mateus descreve na capítulo 7, versículos 15 e 16: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. PORVENTURA podem-se colher uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos?”
