Câmara quer reduzir trânsito dentro da Cidadela
A Câmara de Bragança vai estudar o condicionamento progressivo do trânsito automóvel no interior da Cidadela, criar novas soluções de estacionamento no exterior das muralhas e implementar um circuito com pequenos veículos elétricos entre o centro da cidade e o Castelo, anunciou a autarquia esta sexta-feira, em comunicado.
As medidas fazem parte do programa “Viver as Muralhas”, apresentado pela presidente da Câmara, Isabel Ferreira, durante a reunião do executivo municipal, e que pretende promover uma intervenção integrada naquela zona histórica da cidade.
O projeto encontra-se ainda numa fase inicial e as soluções não estão fechadas. A autarquia pretende começar por fazer um diagnóstico e ouvir moradores, comerciantes e diferentes entidades antes de avançar para um projeto-piloto.
“Queremos olhar para a Cidadela a partir de quem vive, de quem trabalha e de quem visita este espaço”, explicou Isabel Ferreira, acrescentando que a intenção é “organizar melhor a circulação e o estacionamento” e “reduzir a pressão automóvel onde ela não é necessária”.
“Não partimos com soluções fechadas. Vamos ouvir os residentes e as entidades envolvidas, estudar as alternativas e testar as soluções antes de as tornar definitivas”, assegurou a autarca.
Uma das principais mudanças poderá passar pela limitação da circulação automóvel dentro das muralhas. O acesso continuará, contudo, a ser assegurado aos moradores, pessoas com mobilidade condicionada, veículos de emergência e serviços públicos, bem como para cargas e descargas e outras situações justificadas.
Para controlar as entradas, estão em estudo sistemas de leitura de matrículas, cartões ou identificadores eletrónicos e até semáforos. Antes disso, será feito um levantamento das necessidades de estacionamento dos residentes.
Uma das alterações com maior impacto poderá acontecer no atual Parque de Autocaravanas da costa sul.
A Câmara admite reconverter vários dos seus patamares em estacionamento para os visitantes da Cidadela. O primeiro patamar deverá continuar destinado à atual área de serviço para autocaravanas.
A redução da entrada de automóveis será acompanhada pela procura de alternativas de transporte. Uma das hipóteses é criar um circuito com pequenos veículos elétricos entre a Estação Rodoviária, o centro da cidade, os parques de estacionamento e o Castelo.
A Câmara admite soluções como tuk-tuk elétrico ou miniautocarro, procurando um veículo silencioso e adaptado às características da zona histórica.
Aos fins de semana, está também prevista a utilização do Comboio Turístico da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo para assegurar uma ligação regular entre a Estação Rodoviária e o Castelo.
O projeto “Viver as Muralhas” vai, no entanto, além das questões relacionadas com o trânsito. O município quer intervir nos espaços verdes, iluminação, mobiliário urbano, pavimentos e sinalética e criar zonas de estadia e contemplação.
Está também prevista a requalificação de um espaço para a instalação de um Posto de Turismo, complementado com informação digital e multilingue e percursos que permitam ligar os diferentes pontos de interesse existentes dentro das muralhas.
Outra das propostas passa pela criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais, preparado em conjunto com artesãos, produtores e associações do concelho, que poderá incluir oficinas, demonstrações ao vivo e atividades para famílias.
Também os horários dos equipamentos culturais poderão sofrer alterações. A Câmara pretende discutir com as entidades responsáveis pelo Museu Militar e pela Domus Municipalis o funcionamento destes espaços, sobretudo aos fins de semana, feriados e épocas de maior afluência turística.
A intenção é igualmente melhorar a articulação com o Museu Ibérico da Máscara e do Traje e promover programação conjunta, nomeadamente exposições, recriações históricas, visitas e outros eventos.
Apesar do conjunto de propostas já identificado, a Câmara sublinha que nenhuma das principais soluções está ainda fechada.
O processo começará com um diagnóstico à circulação, estacionamento, fluxos turísticos, necessidades dos moradores, espaço público e funcionamento dos equipamentos. Depois será elaborado um programa preliminar, com diferentes soluções, custos estimados, modelo de gestão e calendário.
Seguir-se-á uma fase de participação dos moradores, comerciantes, entidades culturais, forças de segurança, associações e operadores turísticos.
As medidas escolhidas serão então experimentadas através de um projeto-piloto, sobretudo aos fins de semana e nos períodos de maior procura. A decisão definitiva dependerá da avaliação do impacto no trânsito e estacionamento, número de visitantes, satisfação dos moradores e turistas e atividade económica.
A primeira reunião do grupo de trabalho do “Viver as Muralhas” está marcada para 11 de setembro e contará com representantes da Câmara, União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, Museu Militar, Domus Municipalis, PSP, Turismo do Porto e Norte e Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança.
Artesãos, produtores, comerciantes, operadores turísticos e representantes dos moradores da Cidadela deverão igualmente participar no processo.
