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A Arte como valor

Por todo o País, assistimos a uma grande atividade cultural nos vários domínios da arte. Pergunto-me: O que é a Arte?
1. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa e Rio de Janeiro, edição dos anos cinquenta) apresenta, no III Vol. Ps. 406-411, uma ampla abordagem sobre a Arte. Respigo dois aspetos:
Primeiro: conceito - «Conjunto dos meios empregados para realizar algum ideal e comunicar-lhe o sentido de beleza», em oposição a ciência, que é «a especulação do raciocínio puro». Assim, a Arte inclui objecto ou acto, realizado por uma ou mais pessoas com o intuito de dar prazer a outras pela emoção estética ou sentimento de beleza. Acrescenta a referida obra: «A obra de arte pressupõe: (a) uma emoção ou ideia de beleza no espírito do artista; (b) a concretização dessa ideia-emoção em forma material, graças ao trabalho do artista; (c) a existência de pessoas – os contempladores da obra de arte – capazes de receberem desta a emoção ou ideia de beleza, que nasceu do espírito do artista e que ele desejou transmitir por meio da sua obra».
Segundo: são exemplos de artes – mencionadas nesta monumental obra – várias formas de olhar o conceito, num sentido amplo, de que destaco, sem qualquer preocupação de enumerar todas: (i) «as belas artes: pintura, escultura, desenho e gravura; (ii) as artes relativas a espaço e forma, como arquitetura; (iii) as artes performativas: dança, teatro e música. Também é mencionada, como arte, a designada arte da guerra. Igualmente, são referidos outros domínios da arte, «como a arte poética, a arte de amar, a arte de bem cavalgar, a arte de furtar; da mesma forma, as artes agrícolas, florestais e de jardinagem».
2. É oportuno, ainda, referir quatro tipos de arte, tendo em conta a origem, a técnica, o público e a forma:
A “arte erudita” – demonstra o vértice do domínio da técnica e compreensão da mensagem que o artista quer passar ao consumidor. Exige alguma educação por parte do apreciador para ser usufruída. Exemplos: a arte de Graça Morais, Amândio Nunes, Manuel Barroco, Josete Fernandes…
A “arte popular” – nasce no seio do povo; os artistas criam as suas obras num ambiente comunitário, sem prejuízo da sua complexidade, sendo o resultado utilizado no dia a dia. São exemplos do nosso rincão nordestino, os oleiros do Felgar e Larinho e as mantas de Urros (entretanto desaparecidos), os cesteiros, os caretos e as máscaras, entre outros, de que António Reis e Margarida Cordeiro deram vivo testemunho.
A “arte de massa” ou enlatada, para consumo – é efémera, não provoca reflexão, como certos filmes comerciais, certas músicas apresentadas em streaming; como dizem os brasileiros, é uma “troca de baboseiras”, um vazio intelectual, que serve objetivos populistas. Conduzem à irreflexão.
A “arte urbana” – acontece espontaneamente como expressão artística executada na rua (espaços públicos), de que são exemplo maior os graffitis. Trata-se, originalmente, de contestação.
Outra forma de arte é a que nasce em ambientes espaciotemporais de reconhecido valor histórico: arte rupestre, mesopotâmica, egípcia, ameríndia, grega, medieval, moderna, contemporânea…
(Continua)

Edição
4103

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