Política internacional – breve texto
Um imperativo familiar leva-nos, à minha mulher e a mim, ao Reino Unido, onde contacto diretamente alguma imprensa (The Daily Telegraph e Guardian). Destes jornais respiguei, entre outros, três aspetos, do momento.
1. Crise de abastecimento e moral das tropas americanas
Parece caricato, mas é eloquente: as forças americanas no Golfo a bordo dos navios Abraham Lincoln e Trípoli enfrentam uma grave escassez de alimentos. São servidas refeições aos militares racionadas e descritas como insípidas, com carne “sem graça e cenouras cozidas em bandejas quase vazias”. Trump e os seus ‘muchachos’ esqueceram a frase de Napoleão: "um exército marcha sobre o estômago". Por falta de espaço, não exibo as fotografias que apresentam a miseranda situação. Apenas recordo que o abastecimento básico falhou, quando anteriormente à Guerra, havia lagostas, caranguejos, bifes para elevar o moral das tropas. Aquilo cansa.
2. Tensões políticas e religiosas: Trump versus Papa Leão XIV
É sabido: o tratamento impudico de Donald Trump face ao sábio e firme Leão XIV. O Papa, na sua pastoral, condenou a guerra no Irão e pediu paz, evocando Jesus (a não violência). O sr. Trump lançou ataques, apelidando o Papa de "fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa", tendo publicado a conhecida imagem, comparando-se a Cristo. A indignação foi total entre católicos americanos e em todo o Mundo. A tensão entre fé e política é evidente, com católicos americanos divididos entre o apoio ao papa e ao presidente! Algumas pesquisas mostram que o apoio dos católicos a Trump está diminuindo devido à guerra, inflação e escândalos. Tudo conhecido, mas é bom lembrar, para resistirmos. O Mensageiro de Bragança está atento, difundindo esta situação que desagrada e entristece. Este meu contributo, colhido em jornais fora do nosso canto, apenas serve para lembrar que a violência, o insulto e a maledicência não podem ter lugar no nosso País. Em parte alguma do Mundo.
3. Impactos sociais e percepção pública
Finalmente: o senador democrata Jon Ossoff, num comício na Geórgia, criticou duramente Trump por priorizar a guerra contra o Irão [e outros povos, acrescento] em detrimento de programas sociais como creches, Medicaid e Medicare (o Medicare é um programa federal destinado principalmente a pessoas com 65 ou mais anos ou com deficiência, independentemente do rendimento; o Medicaid é um programa conjunto federal-estadual para indivíduos com baixo rendimento). Este senador destacou que os US$ 200 biliões solicitados para financiar a guerra seriam suficientes para uma década de pré-escola universal nos Estado Unidos da América (EUA). Ele também denunciou a corrupção da família presidencial, citando o enriquecimento de Jared Kushner, genro de Trump, e outros membros da família com biliões de dólares de príncipes estrangeiros. O Guardian refere que a guerra já causou a morte de soldados americanos, milhares de civis, inflação galopante e danos à reputação dos EUA, sem que o regime iraniano tenha sido derrubado ou o seu stock de urânio altamente enriquecido esteja beliscado. Como escreve Nesrine Malik (jornalista do Guardian, 20.04.26): «O mal é composto de frivolidade, indiferença e fragilidade, assim como de implacabilidade, insaciabilidade e brutalidade».
