A opinião de ...

O Tempora, O Mores

Quando o Governo insiste, quiçá espicaçado pela oposição interna, na tentativa de aprovação do já célebre Pacote Laboral, quando não se percebe muito bem com quem o irá fazer, na Assembleia da República, a fazer fé nas declarações dos partidos que o podem viabilizar, a inefável Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho veio esclarecer que a culpa da falta de entendimento em sede da Concertação Social era… do Presidente da República. Segundo a governante, António José Seguro, ainda na qualidade de candidato, teria empoderado a UGT para que esta organização sindical mantivesse a sua posição que, recorde-se, tinha sido assumida desde o início das reuniões, em setembro de 2025. Ora, se tivesse havido competência, o acordo já deveria estar fechado em janeiro de 2026, quando o candidato presidencial se pronunciou sobre essa matéria…
Por outro lado, se a Ministra “percebeu” essa condicionante, capaz de obstruir a chegada a um entendimento, por que razão não a invocou antes, precisamente, para combater a suposta teimosia da Central Sindical. Poderia supor-se que o não fez, para não deitar lenha para a fogueira, na esperança de poder convencê-la da bondade das propostas governamentais. Seria uma razão plausível se, entretanto, o Governo não insistisse em algo mais grave e ofensivo, acusando-a de estar a ser manipulada pelo Partido Socialista, “esquecendo” que na sua direção pontuam altos quadros social-democratas!
Assim sendo, causou estranheza a revelação ministerial… até que, passados poucos dias, foram conhecidas as conclusões do Relatório da Presidência Aberta, feita por Seguro, na Zona Centro, no rescaldo do célebre comboio de tempestades. Os dados recolhidos e fundamentados levaram o Palácio de Belém a concluir pela existência de várias debilidades, excesso de improviso, apontando várias falhas na resposta à catástrofe. É verdade que não poupa nenhuma instituição, distribuindo responsabilidades pelos vários agentes que estiveram no terreno, desde as freguesias, municípios, comunidades intermunicipais, comissões de coordenação e desenvolvimento regional, mas também e sobretudo a administração central, nas suas várias facetas, governamental (a começar pela então Ministra da Administração Interna), proteção civil, forças de segurança e forças armadas, para lá das operadoras de infraestruturas críticas. Obviamente que o peso das responsabilidades não é o mesmo! Acrescendo que, no capítulo seguinte, os recados vão todos para São Bento, reclamando as ações urgentes e necessárias no pagamento das indemnizações já aprovadas e no apoio urgente ao fragilizado tecido económico e às famílias mais carentes e desprotegidas.

Já na “Arte da Guerra”, Sun Tzu, enunciou o princípio de que a melhor defesa é o ataque. Porém, qualquer estratega militar sabe muito bem que um ataque, mesmo que como arma defensiva, terá de obedecer a determinados requisitos, nomeadamente o da razoabilidade de sucesso, tendo em devida conta, entre outras circunstâncias, a dimensão e solidez do oponente. E, no caso em concreto, igualmente como potenciais aliados na causa em apreço. Ora, neste capítulo, Luís Montenegro que tem vindo a torcer e retorcer um suposto axioma da sua campanha para Primeiro Ministro conhecido por “Não é Não”, já deve ter percebido que, por esse lado a base é um atoleiro (veja-se a posição errante e destrambelhada, precisamente sobre este tema) e quem gosta dessa forma de estar prefere, como é sabido, o original à cópia. É assim que, sem grande espanto, a última sondagem da Aximage coloca a AD em terceiro atrás do PS e do Chega!

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