Reforço do policiamento ajuda a explicar aumento das participações de criminalidade no distrito em 2025
O reforço de patrulhamento das forças de segurança ajuda a explicar o aumento das participações de criminalidade verificada no distrito de Bragança em 2025, de 9,2 por cento.
Os dados constam do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), escalpelizado pelo Mensageiro na edição passada.
"O distrito de Bragança registou uma subida da criminalidade geral participada, passando de 3.348 ocorrências em 2024 para 3.656 em 2025. Ainda assim, continua a apresentar, em termos absolutos, o valor mais baixo do país", sublinha o Comandante distrital da PSP, Rui Rocha e Silva, garantindo que "Bragança e Mirandela [área de intervenção da Polícia] continuam a ser concelhos globalmente seguros".
"Esse juízo não ignora os sinais de agravamento em algumas tipologias, mas também não perde de vista os indicadores que importa valorizar. Desde logo, a criminalidade violenta e grave mantém expressão residual no distrito e, na área de responsabilidade da PSP, verificou-se mesmo uma diminuição relevante face ao ano anterior, passando de 34 ocorrências participadas em 2024 para 24 em 2025, o que representa uma redução de 29,4%, segundo os dados operacionais do Comando", explicou Rui Rocha e Silva.
O Comandante da PSP sublinha que "parte relevante da variação estatística respeita a furtos e burlas informáticas ou praticadas por meios tecnológicos, ilícitos que, embora relevantes e potencialmente lesivos, têm, em regra, impacto distinto no sentimento geral de insegurança quando comparados com a criminalidade violenta ou grave". "Por isso, o aumento da criminalidade geral não traduz, por si só, uma degradação proporcional das condições objetivas de segurança no concelho", frisa.
O mesmo responsável adianta que "uma parte do aumento registado decorre de maior ação policial em áreas como a fiscalização rodoviária, os crimes de desobediência e o tráfico de estupefacientes". "Na área de responsabilidade do Comando Distrital da PSP de Bragança, esse reforço traduziu-se num acréscimo de 65 registos, com destaque para os crimes rodoviários, as detenções por desobediência e os crimes relacionados com tráfico de droga, o que significa, em muitos casos, não mais criminalidade efetiva no sentido tradicional, mas antes maior deteção, maior controlo e maior presença policial".
Já o Comandante da GNR, António Lobo de Carvalho, sublinha que o crescimento da criminalidade apontado pelo RASI "deve ser analisado com prudência e enquadrado no contexto específico da região".
"Desde logo, o distrito de Bragança tem vindo a registar, ao longo dos últimos anos, níveis de criminalidade estruturalmente baixos quando comparados com a média nacional. Tal realidade faz com que variações numéricas relativamente reduzidas possam traduzir-se, em termos percentuais, em aumentos aparentemente significativos, sem que isso represente uma deterioração efetiva do ambiente de segurança.
Acresce que, quando analisados os dados numa perspetiva proporcional — designadamente através do rácio de criminalidade por número de habitantes —, o distrito mantém-se entre os territórios mais seguros do país, evidenciando indicadores muito positivos no contexto nacional", sublinhou, em declarações ao Mensageiro.
(Notícia completa disponível para assinantes ou na edição impressa)
