Procissão do Enterro do Senhor voltou à rua três anos depois
Depois de dois anos em que as condições climatéricas adversas não permitiram a realização da Procissão do Enterro do Senhor, na Sexta-feira Santa, Bragança voltou a poder assistir a um dos momentos mais marcantes da Semana Santa, que ligou a Catedral à igreja da Misericórdia, no centro da cidade. Pela primeira vez, cavalos da GNR abriram a procissão e marcaram o ritmo.
Antes disso, a Catedral acolheu milhares de fiéis que participaram no momento de Celebração da Paixão do Senhor. “Foi-nos dada a graça de nos reunirmos aqui, na Casa de Deus, nesta Sexta-Feira Santa, para celebrarmos, unidos de alma e coração à Igreja inteira, a Una e Santa, a Paixão do único Senhor da nossa vida, «Aquele que nos ama» (Ap 1,5), Jesus Cristo. E foi-nos dado seguir, passo a passo, com a conversão do coração e o louvor no coração, o imenso relato da Paixão do único Senhor da nossa vida, a partir do Evangelho segundo S. João”, sublinhou D. Nuno Almeida.
O prelado sublinhoum ainda, que “no silêncio desta tarde, olhando Jesus morto na cruz, contemplamos uma vida entregue; vemos o amor levado ao extremo e afirmado num último suspiro, valente e fiel: “Tudo está consumado”, ou seja: “Pai, está cumprida a missão que me deste!””, disse.
O bispo de Bragança-Miranda recordou, ainda, a imagem da Pietá, presente na Catedral. “A Pietá da nossa Catedral, lembra-nos que não se pode subir ao Calvário sem ver Jesus descido para os braços de Sua Mãe. “Stabat mater”. A mãe estava de pé. Depois, sentou-se para acolher o peso do Filho morto. Olhemo-la dorida, mas corajosa. E deixemo-nos que nos envolva com o seu materno olhar, imaginando o que nos pode hoje dizer:
“Meus filhos, aqui, junto da cruz, só se pode estar por amor. Antes de morrer, Jesus entregou-me a João e entregou-me João e no Calvário, tornei-me a mãe de todas as dores. Recordo somente algumas: As dores, meus filhos, das renúncias à vontade de Deus. Chamais-me Senhora do Sim, mas qualquer pretexto vos serve para evitar o compromisso…
As dores, meus filhos, do vosso cristianismo vivido em circuito fechado, para consumo próprio ou do vosso grupo mais aconchegante; sem paixão missionária …
As dores, meus filhos, do vosso apego a privilégios que dispensam de zelar e lutar pelo bem comum…
As dores, meus filhos, de todos os que são obrigados a deixar a sua terra, porque os bens repartidos sem fraternidade não suportam os sonhos dos simples …
As dores, meus filhos, dos que desistiram de amar e entregam a amas eletrónicas ou mesadas mais generosas as dúvidas e a sede de amor daqueles que Deus lhes confiou…
As dores, meus filhos, das vossas vidas distraídas, indiferentes para com os problemas dos que vivem perto de vós…
As dores, meus filhos, de todas as negações, abandonos e traições, ou do desespero que descrê da misericórdia …
As dores, meus filhos, da cobardia e do medo que remetem a verdade para salas fechadas, que o Espírito terá de arrombar, para retirar o bem, o verdadeiro e o belo da clandestinidade”, concluiu D. Nuno Almeida.

