Empresa interessada na prospeção mineral promove sessões de esclarecimento
A empresa que está a pedir a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais, na área designada por “Avidagos”, no concelho de Mirandela, terminou, na semana passada, uma série de quatro sessões públicas de esclarecimento, em Mirandela, Valverde da Gestosa, Avidagos e Lamas de Orelhão.
José Lopes, representante da empresa, começa por referir que, desde 1987, que Portugal “não abre nenhuma mina” e que, em média, “por cada 1000 áreas que são atribuídas, apenas uma resulta em mina”.
José Lopes afasta também a ideia que esta prospeção possa ter impacto ambiental na área dos 66 quilómetros quadrados previstos no pedido, alegando que o nosso país tem atualmente uma das legislações “mais apertadas” ao nível da União Europeia. “Há coimas muito avultadas e ninguém, nenhuma empresa de bom grado quer incorrer nesse tipo de incumprimento”, diz.
Aquele responsável da empresa também tem a sua opinião sobre o facto de, por norma, haver antecipadamente uma rejeição a este tipo de projetos minerais. “As pessoas são avessas à mudança. Nas empresas, vemos isso todos os dias, quando pretendemos mudar um procedimento porque toda a vida se fez assim ou porque se fez assim e queremos melhorar isto ou aquilo, a reação inicial, primária, é exatamente essa. As pessoas não querem a mudança, têm dificuldade em adaptar-se. Faz parte da psicologia humana”, acrescenta.
José Lopes fala antes em benefícios económicos importantes para as áreas envolvidas, dando como exemplo Castro Verde, onde existe a maior mina de zinco da Europa. É uma das localidades portuguesas com maior rendimento per capita”. Mas, deixa outro exemplo: “Em 1992, Jales tinha 22 cafés, hoje tem dois. Portanto, quando há um projeto mineiro de relevância, há uma componente económica em que as pessoas veem melhorada a sua condição e não é só para as pessoas que trabalham na mina, mas há toda uma economia associada que traz bem-estar”, assegura.
O presidente da Câmara de Mirandela sublinha que nesta fase de consulta pública pretende-se que a população “emita opinião sobre o pedido de licenciamento de prospeção e só depois o Estado tomará uma decisão”. Vítor Correia entende que neste processo, o executivo que lidera teve sempre uma atuação “transparente”, lembrando que já tinha promovido uma primeira sessão de esclarecimento, em Abreiro.
Na última sessão de esclarecimento, no final da semana passada, em Lamas de Orelhão, Tomás Barra, um dos participantes, diz ter ficado “esclarecido” e vê com agrado este processo. “Nem todas as pessoas têm o conhecimento adequado para compreender todos estes conceitos, não só da prospeção, mas também da importância que a prospeção pode vir a trazer para o nosso território, em que vão estar a recolher amostras, de 400 em 400 metros, numa primeira fase, do tamanho de uma pá, não estamos a falar de minas nesta fase”, diz.
A mesma opinião tem Paulo Batista, outro dos presentes na sessão de esclarecimento. “Para nós até era bom, postos de trabalho, não vai ser 100% do pessoal daqui, mas por exemplo, 40% se calhar vai ser”, refere. “Está claro que a empresa só vai investir se valer a pena, porque pode não haver nada, e eles vão-se embora, mas é preciso explicar o que stá em causa e fiquei esclarecido”, conta.
Estas sessões de esclarecimento aconteceram, depois de a DGEG ter autorizado o pedido de prorrogação por mais 30 dias do prazo de consulta pública relativo ao pedido de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de cobre, chumbo, zinco, antimónio e ouro, na área designada por “Avidagos”, por parte da empresa Generic Ways, que terminava no dia 6 de março e desta forma passará a terminar apenas no dia 20 de abril.
