Bragança

Primeira Feira Agrícola de Bragança superou expectativas e Câmara quer torná-la referência nacional e transfronteiriça

Publicado por António Gonçalves Rodrigues em Qui, 06/25/2026 - 09:56

A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança superou as expectativas da Câmara Municipal e deverá continuar nos próximos anos, com o objetivo de se afirmar como uma das feiras agrícolas de referência do país e com dimensão transfronteiriça.

O balanço foi feito pela presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, em declarações ao Mensageiro de Bragança, depois de quatro dias de certame que juntaram produtores, empresas, investigadores, associações de raças autóctones, expositores de maquinaria agrícola e milhares de visitantes.

“É um balanço muito positivo. Nós tínhamos expectativas elevadas, porque sabíamos que este era um tema muito importante para o concelho de Bragança e mobilizador, mas conseguiu ainda superar”, afirmou a autarca.

Segundo Isabel Ferreira, a adesão foi “enorme” por parte das empresas, dos produtores, dos expositores e da população, que visitou em grande número o recinto da feira. A presidente destacou também as oportunidades de contacto e negócio geradas durante o evento, nomeadamente através dos seminários temáticos, das demonstrações e da presença de maquinaria agrícola.

“Também a parte recreativa, alargada às famílias inteiras, de várias idades, e o próprio negócio que aconteceu no espaço da feira”, sublinhou.

A Feira Agrícola de Bragança contou com 92 expositores, número superior ao inicialmente previsto. “Tivemos, no final, um pedido grande de expositores para estarem presentes e já não tínhamos capacidade para acolher”, explicou a autarca, acrescentando que o espaço tem margem para crescer, mas que será necessário preparar a logística para uma dimensão maior.

A continuidade da feira está garantida. A presidente da Câmara afirmou que a intenção é fortalecer o certame e dar-lhe escala regional, nacional e transfronteiriça.

“É para continuar, sem dúvida, e para fortalecer. Quando lançámos a FAP, fui dizendo que queria que esta feira se impusesse do ponto de vista regional e nacional, e ela já provou isso”, afirmou.

Nesta primeira edição, a feira contou já com a participação de empresas espanholas e de investigadores ligados à componente científica e tecnológica dos seminários. No futuro, Isabel Ferreira quer alargar essa presença à área dos expositores e das demonstrações. “Temos todo o caminho pela frente para conseguir que seja uma das feiras de referência agrícolas do país e transfronteiriça”, frisou.

Apesar do balanço positivo, a autarca reconhece que há aspetos a melhorar em futuras edições, sobretudo em matéria de logística. Entre as sugestões recebidas estão a melhoria da identificação da entrada, a acessibilidade entre zonas de exposição, a localização das casas de banho e a necessidade de vedar melhor o espaço para facilitar a permanência de pequenos equipamentos no recinto.

“São pequenas coisas, porque decorreu muito bem. O nosso foco é mesmo aumentar a escala, aumentar a dimensão”, afirmou Isabel Ferreira.

A data da feira será também avaliada, embora a autarca admita que dificilmente o certame fugirá muito ao mês de junho. A escolha teve em conta a realização dos concursos de raças autóctones, que tinham de ser compatibilizados com os calendários nacionais.

“No início, a data não foi muito bem aceite, mas, decorrida a feira, já tivemos muitas pessoas a dizer que foi uma boa data e que continua a ser uma boa data”, explicou.

Isabel Ferreira garante que passaram pelo recinto “milhares” de pessoas. “É inegável. O parque de estacionamento e todos os acessos fora do recinto estavam sempre cheios de carros, diariamente. A feira teve sempre visitantes e tivemos um pico de calor enorme, que não afastou minimamente as pessoas”, destacou.

Entre os momentos de maior adesão estiveram a luta de touros e o desfile de tratores, que contou com 120 participantes, além de outros tratores em exposição.

O investimento efetivo na primeira edição da Feira Agrícola de Bragança foi de 135 mil euros, valor que inclui despesas com espaço, logística, atividades, pequenas aquisições, comunicação e os protocolos com as associações de raças autóctones.

Isabel Ferreira explicou que cerca de 40 mil euros desse valor correspondem a apoios que a autarquia já atribuía anteriormente às associações para a realização de concursos ao longo do ano, mas que passam agora a estar integrados no orçamento da feira.
“Estamos a falar de um investimento consideravelmente reduzido para o retorno que esta feira teve”, afirmou.

“Ainda estamos a ver esses valores, mas só em tratores vendidos, equipamento agrícola, expositores e refeições servidas, o retorno foi muito significativo”, concluiu.

Expositores satisfeitos

Entre os expositores, a satisfação era a palavra de ordem, apesar de deixarem algumas sugestões à organização.

"Nunca tínhamos tido em Bragança uma feira com esta dimensão. Passaram imensas pessoas, sábado e domingo foram, de facto, os dias com mais gente. Fizeram programas interativos para crianças que levaram os pais a visitar. O balanço é positivo obviamente", disse Cátia Afonso, produtora de azeite, ao Mensageiro. 

"Se avaliarmos sob o ponto de vista comercial, obviamente que teriam que fazer um trabalho de forma a atrair os vizinhos espanhóis porque aqui toda a gente tem azeite ou uma maioria, eu fiz uma reunião de um senhor que está em França para a exportação e de todos os azeites que estavam, o nosso, com as medalhas tornou-se o mais atrativo para o cliente", frisou, apontando alguns caminhos: "o que devem melhorar é a comunicação. Mas entende-se que foi em tempo recorde e mobilizar este público todo já é um sucesso", disse.

Já Sérgio Pousa, que vende maquinaria agrícola, também fez um balanço positivo. "Gostámos muito. Todos fizemos por ter a feira que ambicionávamos ter em Bragança. Uma coisa diferente, grande, maior, com escolha para o agricultor ter ideias das inovações, de produtos novos. Acho que esteve tudo muito bem e é de fazer melhor e maior para o ano", apontou. 

No entanto, também assinala uma sugestão para o futuro. "A data é a única coisa que eu mudaria. Ser antes ou depois desta altura de muito trabalho agrícola, que acho que foi o menos bom da feira", frisou.

Também vendedor de maquinaria agrícola, Vítor Meles disse ter gostado. "Foi impecável. Gostei mesmo. Teve o público que precisávamos. Teve uma boa organização. Faltava uma ou outra coisa mas para uma primeira abordagem começaram com o pé direito. Em termos de negócio surgiram uns contactos novos, de clientes que vieram mais de fora", revelou.

Já Nuno Machado, empresário de restauração, e que habitualmente participa num dos maiores certames do setor, em Santarém, sublinhou ter "vendido tudo".

"Senti uma feira muito mais agrícola e de setor do que a de Santarém. Esteve toda a comunidade envolvida, o meio rural e a cidade em sintonia. Houve muitas atividades relacionadas com agricultura e uma feira para todas as gerações. O clima que se vivia era de plena felicidade de todos os intervenientes. Estão de parabéns", apontou.

O certame ficou ainda marcado por um incidente, com a queda de uma grua telescópica que estava em exposição a provocar danos em cinco viaturas.

"Houve um incidente com uma grua, felizmente só com danos materiais. E ficou também tudo resolvido rapidamente. São os seguros de quem teve a responsabilidade e felizmente não afetou minimamente o funcionamento nem o decorrer da feira", disse a presidente da autarquia.

 

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