Bragança

Obras reunidas por Alberto Caetano ao longo de 50 anos no CAC até 14 de fevereiro

Publicado por Glória Lopes em 06-11-2026 15:34

‘A vida pode ser feliz contigo. Obras da doação de Alberto Caetano’ ocupa até 14 de fevereiro a sala de exposições temporárias do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, mostrando cerca de 190 obras de um total de 367 que o colecionador e arquiteto doou ao Estado Português, estando este património à guarda do Museu do Chiado, em Lisboa.
A exposição, foi inaugurada na passada quarta-feira, 5, um mês após a morte de Alberto Caetano. Tratou-se de um momento de grande emoção para Filipa Oliveira, diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, que referiu ao Mensageiro “a enorme paixão” que o colecionador tinha pela arte, que o levou com apenas 13 anos a adquirir as primeiras obras. “Esta exposição contém grande parte das obras que Alberto Caetano reuniu e é uma visão eclética sobre o seu gosto de colecionar. Ele tanto gostava de obras mais antigas como de maior contemporaneidade. Percebemos os diferentes tipos de obras que ele colecionava, muitas sobre papel. Algumas muito íntimas e pequenas e outras de grandes dimensões”, descreveu Filipa Oliveira.

Trata-se de uma “coleção fundamental do que é o seculo XX português e não só, porque tem autores também estrangeiros”, referiu António Meireles, diretor do CAC. A exposição permite ter “uma abrangência muito grande, desde o início do século XX até à atualidade”, acrescentou.
O conjunto da coleção do filantropo português reflete o seu olhar enquanto colecionador, pois seguiu sempre o seu gosto, neste caso alguém muito particular, porque iniciou ainda na adolescência. “Ia às páginas amarelas procurar os números de telefone de artistas plásticos, que depois contactava, pedindo que lhe oferecessem um desenho. Situação, tão inusual, que em alguns casos não foi bem-sucedida, mas em outros correu bem” revelou Adelaide Duarte, uma das curadoras da exposição patente no CAC. No caso de Eurico Gonçalves, que tem grande expressão neste conjunto de obras, perante a abordagem inesperada do jovem, na altura com 15 anos acabou por ter algum resultado. “Achou tão estranho que o entrevistou para a revista Flama [1975], num artigo de três páginas, onde explicava o que era a sua coleção. Nesse artigo manifesta vontade de construir um museu em Lousa (Loures), na casa dos avós, onde ia passar as férias. Nunca conseguiu concretizar esse objetivo”, acrescentou a curadora.

Segundo Filipa Oliveira esta mostra revela “o que é fazer uma coleção de arte contemporânea, por alguém que era um modesto colecionador, mas tinha uma amor enorme pela arte”. Algumas obras são consideradas relíquias como a imagem de uma Ascensão “muito pequena e muito querida dele”, salientou a diretora do Museu do Chiado, tal como a pintura do coletivo Sara &André ou retrato do colecionar e filantropo. “Temos várias obras que são retratos, como o autorretrarto de Mário Eloy datada de 1937-40. Um desenho, que em tempos pertenceu a um colecionador muito importante o Manuel Dias, que é magnífica, pois corresponde a uma fase em que Mário Eloy estava bastante doente. O desenho tem uma força e uma vida muito numa linha picassiana, mas que é de facto considerada uma obra maior no trabalho do artista”, referiu ao Mensageiro Adelaide Duarte.
A coleção particular feita ao longo de cinco décadas junta obras de pintura, desenho, gravura, escultura e fotografia de muitos artistas, como as esculturas de Ana Jotta (Antena, é uma das esculturas patente na exposição do CAC), Miguel Ângelo Rocha, ambos os artistas com grande proximidade com o colecionador, bem como Gaëtan, Luísa Correia Pereira, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Mário Cesariny, Joaquim Rodrigo, Manuel Lapa, Salette Tavares, Jorge Martins e Diogo Evangelista, entre muitos outros como as esculturas de Rosa Ramalho. “Há esta relação com a arte popular. Ele tinha uma grande coleção de Rosa Ramalho e doou 22 aos Museu de Etnologia estando agora no Museu do Chiado”, deu conta Filipa Oliveira.
Caetano, natural de Lisboa, é considerado um dos mais importantes colecionares nacionais “que não sendo rico, fazia a sua coleção a partir do seu trabalho, tinha uma grande paixão pelo colecionista”, frisou a diretora do Museu do Chiado.

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