Mirandela

Diretor da EPA de Carvalhas tece duras críticas ao Ministro da Educação

Publicado por Fernando Pires em Ter, 04/07/2026 - 17:18

O Diretor da Escola Profissional de Agricultura (EPA) de Carvalhais, em Mirandela, não augura “nada de bom para o futuro” das 14 escolas profissionais de agricultura que, atualmente, existem em Portugal.

Esta desconfiança de Marcelino Martins resulta da recente alteração na orgânica das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) que, desde o início do ano, passaram a integrar competências em cinco áreas: agricultura, ambiente, cultura, saúde e educação, com um vice-presidente alocado a cada uma delas e que passaram a tutelar as respetivas direções regionais.

Com esta alteração, o Governo planeia transferir a tutela destas escolas para as CCDR, mas, o Diretor da EPA de Carvalhais confessa que ainda não sabe quem passou afinal a tutelar a escola que dirige. “Nós não sabemos, se dependemos do Ministério da Educação, ou do Ministério da Agricultura, não sabemos rigorosamente nada”, afirma.

“Fizeram agora a nova agência de gestão dos serviços educativos, em que englobaram a DGESTE, a DGAE, e as reformas devem-se fazer, agora, não é para tirar gente só por tirar, até porque havia muita competência nesses serviços. E hoje, tentamos ligar para alguém, mas ninguém nos atende, ninguém nos responde a mails, ninguém nos diz nada”, lamenta.

Marcelino Martins não esconde que ficou indignado com as recentes declarações do Ministro da Educação de que as escolas profissionais de agricultura não souberam modernizar-se. O Diretor da EPA de Carvalhais responde: “Foi para a Assembleia da República dizer que as escolas agrícolas gastavam à volta de 3 milhões de euros por ano, mas as escolas agrícolas gastam a nível do orçamento do Estado apenas e só nos vencimentos”, diz.

Para além disso, “também disse que as escolas estão degradadas, mas, as escolas não recebem rigorosamente nada, a nível do PRR não receberam nada, são é financiadas a nível da União Europeia, do programa 2030, mas o vencimento tanto teria que ser pago aqui, como noutra escola qualquer, porque 95% dos nossos professores, pessoal docente e pessoal não docente, são do quadro”, acrescenta.

Marcelino Martins diz mesmo que a EPA de Carvalhais tem feito “autênticos milagres” na gestão, socorrendo-se de receitas próprias obtidas através do esforço de toda a comunidade escolar em atividades realizadas ao longo do ano letivo. “Temos várias valências, como o lagar de vinho, o lagar de azeite, queijaria, e é isso que nos vai valendo. Ao contrário de outras escolas, nós nunca tivemos nenhum problema por pagamento de eletricidades e de água. Portanto, vamos conseguindo ultrapassar todos estes obstáculos, agora estamos à espera da tutela que nos ajude, infelizmente vamos ter que esperar”, conclui.

Mais de três meses depois de ter entrado em vigor a nova estrutura orgânica das CCDR'S que passam a tutelar diversas áreas, entre elas a educação e a agricultura, o diretor da EPA de Carvalhais confessa que ainda não sabe a quem fica agregada esta escola que tem cerca de 200 alunos distribuídos pelos cursos de agropecuária, vitivinícola, cozinha e pastelaria, mecatrónica automóvel e turismo ambiental e rural.

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