Democracia (1) - do reverso da medalha à sacralização dum sistema
A todos aqueles que nunca se aperceberam de que, como é costume dizer-se, o que é demais é moléstia, se para tal tiverem disposição, tempo e paciência, sugeria que estivessem minimamente atentos à quantidade absurda e ridícula de vezes com que, no dia a dia deste nosso país, por tudo, por nada e para nada, a todos os níveis e em qualquer canto e esquina, se usa e abusa da palavra democracia, como se a democracia fosse a panaceia perfeita e o remédio infalível para curar todos os males e todas as maleitas de que enfermam as sociedades atuais.
Esta espécie de desvario sistémico e coletivo de usar e abusar da utilização da palavra democracia atingiu um nível tal que, para se impor, acaba por se transformar numa paranoia coletiva, à sombra da qual nasce, prospera e se impõem uma praga gigantesca de parasitas, tão oportunistas quanto inúteis, muitos dos quais, duvido que saibam, ou no mínimo estejam interessados em saber o significado real da palavra democracia. Mas isso é lá com eles.
Nas mini férias desta quadra pascal, aproveitando as comemorações de mais um dia do livro no próximo mês de abril, para toda essa gente, mas não só, para ficarem com uma visão minimamente realista do que foi, do que é e do que não convém nada que possa vir a ser, sugeria leitura do livro “O DEUS QUE FALHOU” de Hans-Hermann Hoppe, deixando desde já o aviso que, ao contrário de tantos outros que incomodam por falharem, ao longo das suas 372 páginas, este é um, dos já muito raros livros que incomodam porque acertam em cheio onde mais dói.
Como aperitivo para a leitura duma abordagem mais exaustiva deste livro, numa das próximas semanas, concorde-se ou não com ele, fica a promessa de voltar a ele numa das próximas semanas para uma abordagem mais profunda e exaustiva do seu conteúdo.
Por hoje, a título de amostra, faço referência a uma das suas teses mais simples e demolidoras, na qual assume que a sua intenção não é reformar nem melhorar, mas despir a democracia moderna, porque ela “Não é o auge da civilização política mas um sistema que premeia a curto prazo, dilui a responsabilidade e incentiva a pilhagem institucionalizada”.
(Continua
