Comemorações do 25 de abril mais viradas para a população e com discurso de Isabel Ferreira a lembrar o que ainda falta conquistar
As comemorações do 25 de abril em Bragança ficaram marcadas por iniciativas que procuraram aproximar as festividades da população e pelo discurso da presidente da Câmara, Isabel Ferreira, na sessão solene, na Assembleia Municipal, em que denunciou aquilo que considera serem comportamentos depreciativos das mulheres na política.
“O que representa o 25 de Abril para mim é essa garantia da liberdade no sentido de igualdade e podíamos falar da igualdade de muitos pontos de vista, incluindo a igualdade territorial, a igualdade social, mas a igualdade de género, a igualdade entre homens e mulheres é muito importante porque eu, enquanto mulher na política, testemunho como o caminho é mais difícil. E portanto serve também este dia para homenagear todas as mulheres que persistem, que resistem e que lutam por todas as outras para abrir caminhos que são sempre mais difíceis”, sublinhou a autarca brigantina.
No seu discurso na Assembleia Municipal, Isabel Ferreira sublinhou que “celebrar abril é, também, reconhecer o que ainda falta cumprir”.
“A liberdade só é plena quando se traduz em igualdade real. E essa igualdade continua por alcançar em muitos espaços da nossa sociedade, em particular na política.
As mulheres que escolhem a participação cívica e política continuam a enfrentar uma realidade desigual e mais exigente. Não basta provar competência; é preciso resistir diariamente a uma cultura que insiste em desvalorizar, em diminuir, em reduzir.
O machismo manifesta‑se em comentários aparentemente banais, mas profundamente reveladores: observações sobre a aparência, julgamentos superficiais, tentativas constantes de descredibilizar o pensamento e a capacidade.
Como se ser mulher fosse, por si só, um obstáculo à legitimidade.
Como se a presença feminina tivesse sempre de ser justificada.
Como se o mérito precisasse de ser repetidamente provado.
Mas a verdade é clara e inequívoca.
As mulheres na política não são frágeis nem vazias. São resilientes, preparadas e determinadas. São vozes firmes que recusam o silêncio, são agentes de mudança que constroem soluções, são líderes que enfrentam desafios com inteligência, rigor e visão.
São gigantes, mesmo quando tentam torná‑las pequenas”, frisou.
A presidente da Câmara de Bragança disse ainda que “para as mulheres, o 25 de abril representou uma transformação estrutural: o acesso à educação, ao trabalho com direitos, à participação política, à autonomia pessoal”. “Representou dignidade concreta, vivida na vida quotidiana.
Evocar abril é honrar as mulheres que abriram caminhos quando tudo era mais difícil.
É apoiar as que hoje continuam a transformar a sociedade, enfrentando desigualdades que persistem, muitas vezes mascaradas de normalidade”, apontou.
A autarca sublinhou também que “a democracia do futuro precisa de mais participação, mais transparência, mais igualdade” e que ““precisa de instituições fortes, mas também próximas”.
“Precisa de mulheres e de homens em igualdade plena, de jovens envolvidos, de comunidades ativas e conscientes.
Neste 25 de abril, reafirmo um compromisso: o de continuar a participar na construção de um país onde a liberdade não seja seletiva, onde a igualdade seja prática concreta e onde os direitos não estejam permanentemente sob ameaça.
Abril deu‑nos a possibilidade de mudar.
O presente exige‑nos a coragem de manter essa mudança viva. E o futuro exige‑nos a responsabilidade de aprofundá‑la.
Bragança honra abril quando participa, quando inclui, quando acredita na força da democracia e na dignidade de cada pessoa”, disse.
Numa sessão que começou 20 minutos antes da hora marcada, já antes dela os vereadores da oposição tinham recordado que fazer oposição “é precisamente escrutinar, questionar e não bloquear”.
Isabel Ferreira explicou, depois, aos jornalistas, que as críticas que tem dirigido aos opositores dizem respeito a alguma leveza nas análises.
“O escrutínio é, de facto, muito importante, a oposição também. Aliás, eu dizia isto já quando era secretária de Estado, dos momentos mais importantes da minha ação governativa era quando ia à Assembleia da República prestar contas porque isso nos obriga também a refletir sobre o programa. E essa ideia mantém-se agora enquanto autarca. Os momentos que eu venho à Assembleia Municipal servem também para organizarmos ideias. Infelizmente, é normal nos tempos de hoje, amplificado por uma velocidade de comunicação muito grande, pelas redes sociais, pela falta de tempo para aprofundar os assuntos e desse ponto de vista, quando eu digo que existe algum ruído é neste sentido de lamentar que os assuntos não sejam analisados com mais detalhe antes de se emitir qualquer opinião”, precisou.
Já no dia anterior, tinha sido inaugurada uma exposição na Biblioteca Municipal, que recorda vários livros censurados antes do 25 de Abril, incluindo livros infantis.
“O objetivo é dar a conhecer às pessoas ou recordá-las daquilo que é a história do 25 de Abril, aquilo que se conquistou no 25 de Abril e os valores, tais como a liberdade e a liberdade de expressão, que nos são tão queridos hoje e tão normais, que foram conquistados numa altura em que Portugal vivia numa ditadura. Esta exposição relembra o 25 de Abril, relembra os valores conquistados e relembra-nos também que todos os dias temos que lutar por essa liberdade, porque não é um direito adquirido e pode estar em perigo e ser colocado em causa nos tempos de hoje”, disse o vice-presidente da Câmara de Bragança, Pedro Rego, presente na abertura.
Esteve, ainda, em exposição uma Chaimite que participou nas operações de 25 de abril de 1974.
