Bragança

Rodolfo Moreno demitiu-se da presidência da Concelhia do Partido Socialista de Bragança

Publicado por Glória Lopes em Dom, 02/22/2026 - 23:02

O presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Bragança, Rodolfo Cidré Moreno, anunciou esta noite de domingo a sua demissão do cargo.
Num comunicado enviado aos militantes, Rodolfo Moreno elenca uma série de motivos que, após “uma reflexão profunda sobre o atual momento político do nosso concelho e a sustentabilidade da nossa intervenção cívica,” o levaram a decidir demitir-se. “Face à impossibilidade de exercer o mandato com a dignidade e autonomia que os militantes e os munícipes merecem, e perante este cenário de asfixia democrática e desvirtuamento do nosso ideário, apresento com estes e outros motivos a minha demissão do cargo de Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Bragança”, refere.
Rodolfo Moreno ascendeu à liderança da Concelhia do PS após a demissão do presidente eleito, Artur Pires, em novembro de 2025. “Neste mandato, em substituição, procurei pautar-me pela defesa dos ideais, princípios e valores do Partido Socialista. Ao longo deste período procuramos, eu e o secretariado desta concelhia articular políticas com a Autarquia de forma aberta e responsável, conforme estabelecem os nossos Estatutos. Contudo, a gestão da Câmara Municipal de Bragança tem revelado um distanciamento com as estruturas políticas do PS, disponibilizando sem diálogo, pouca ou nenhuma informação, o que inviabiliza qualquer acompanhamento e apoio político. Esta falta de informação e diálogo “deliberado”, da gestão municipal refletiu-se num conjunto de decisões que ferem a ética republicana, social e partidária, nomeadamente no tocante a nomeações, renomeações e reconduções de cargos, aliada a uma reorganização da estrutura orgânica, manifestamente extemporânea e de fundamentação duvidosa da Câmara Municipal de Bragança”, sublinha.
O presidente demissionário da CPC diz que “é impossível ignorar o desvio ideológico que estas escolhas representam, atingindo o seu expoente máximo na nomeação para a Chefia de Gabinete de um elemento com ligações conhecidas à Extrema Direita "CHEGA", algo que colide frontalmente com a matriz do Partido Socialista. Em vez de uma rutura com o passado, vemos a continuidade acrítica das políticas dos executivos anteriores, personificada na insistência em obras como o Museu da Língua Portuguesa e a recente aquisição de livros de um ex-presidente de câmara PSD, desalinhada com a prática de aquisições do município. Esta deriva é agravada por uma postura de hostilização constante a qualquer voz divergente, num clima que protagonizou a demissão do anterior Presidente da concelhia de Bragança Artur Pires”, acrescenta no comunicado.
Militante do PS há 26 anos, Rodolfo Moreno esteve e está ligado a órgãos do PS, na Concelhia, na Federação
e na Comissão Política Nacional, foi candidato autárquico, mandatário, diretor de campanha de vários militantes, Secretários Gerais e de António José Seguro, eleito Presidente da República. “Sou um socialista de convicções, intransigente nos valores da democracia e acima de tudo, defensor da " Declaração de Princípios e Matriz" do Partido Socialista. A política, tal como a vida, é feita de tempos e ritmos. Com acerto ou não, no mundo partidário, surgem ciclicamente patologias que ignoram os tempos e os calendários políticos. Há o tempo de propagar, o tempo de ouvir, debater e o tempo de decidir”, indica.
O Partido Socialista vive hoje o período de afirmação da liderança do seu Secretário- Geral, pelo que Rodolfo Moreno defende que este “é o momento de consolidar a estratégia nacional, de apresentar soluções aos portugueses e de mostrar uma frente unida e preparada para os desafios governativos ou de oposição. No entanto, por entre as frestas da agenda nacional, surge o ruído extemporâneo das movimentações para as eleições concelhias e distritais, ainda sem data prevista.
A antecipação de contactos, feita com muitos meses de antecedência, não é apenas sinal de inquietação e ansiedade, é ambição cega sem norte, busca desenfreada de poder que atropela princípios e pessoas, procurando o poder com único propósito, alimentar egos e manter um controle absoluto no abismo das intenções obscuras.
Primeiro, porque desvia o foco, em que cada minuto gasto num corredor a discutir a liderança de uma Federação ou de uma Concelhia é tempo retirado ao apoio que o Secretário-Geral necessita para implementar o mandato que a militância lhe confere.
Segundo, pela fragilidade do debate, não se discutem projetos nestes contactos de fevereiro. Seguramente não são ideias para o território ou propostas de desenvolvimento regional, apenas se dizem nomes, cargos, obediência e fidelidade.
Terceiro, pela imagem pública. Num momento em que as famílias esperam respostas sobre economia, saúde, educação e habitação, ver este partido mergulhado em lógicas de "aparelho" meses antes do tempo, transmite uma imagem despropositada, egocêntrica e desfasada da realidade”, sublinha.

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