Manuela Gândara integra grupo restrito de colecionadores de Santo António a expor no Museu de Lisboa
O Museu de Lisboa - Núcleo de Santo António – acaba de inaugurar, na passada terça-feira, uma exposição temporária inédita dedicada às coleções privadas de Santo António, no Museu e no edifício dos Paços do Concelho, que vai estar patenete ao público até 21 de setembro.
Esta exposição, “Meu Querido Santo António - Imagens de coleções particulares” pretende “evidenciar o papel fundamental dos colecionadores na preservação, salvaguarda e interpretação de um património extremamente rico”, adianta aquele Museu no seu site oficial.
A organização convidou 32 colecionadores a ceder, durante quatro meses, uma peça do seu espólio, dando-lhes total liberdade da seleção. Entre este grupo tão restrito, está a mirandelense, Manuela Gândara, professora aposentada que assina semanalmente uma crónica na Terra Quente FM sobre as diversas facetas da vida de Santo António. “Surpreendeu-me muito, muito mesmo, este convite e deixa-me ainda mais orgulhosa por ser a única representante desta região transmontana para ceder uma peça do meu espólio”, afirma.
Entre os colecionadores convidados, estão algumas figuras públicas bem conhecidas como Isabel Angelino, José Carlos Malato, Mário Coelho, Miguel Infante, Miguel Moncada, Tânia Ribas de Oliveira, Vanessa Oliveira, entre outros.
A organização pediu a cada colecionador o empréstimo de uma única peça. “Tinha de ser uma peça que tivesse a certeza de que não havia outra igual e que dignificasse Trás-os-Montes, uma peça em que as pessoas olham para ela e ficam de boca aberta”, conta Manuela Gândara.
É um Santo António, “com 40 centímetros, a dizer missa, com o Menino Jesus ao colo, que tem uma combinação feita com renda manual e tem a cara, as mãos e os pés em cera, o que é raro. Tem a veste franciscana, o borel, e tem depois as vestes, para dizer missa, onde a própria casula é feita em seda natural, trabalhada com fio dourado”, descreve.
Esta é apenas uma das várias peças que foi adquirindo ao longo dos últimos 32 anos. “Umas foram encomendadas por mim a artesãos, outras fui adquirindo em leilões”, diz.
Manuela Gândara explica como começou esta paixão por Santo António. “A minha mãe era professora, em Ala, Macedo de Cavaleiros, e lembro-me de um dia estar na escola e ver uma procissão onde iam os miúdos lá da aldeia, todos vestidos com a cruzada para a missa, e via animais também irem à missa, e, ao lado da igreja, no muro, estavam amontoados muitos sacos de cereal e perguntei o que era aquilo. Disseram-me, que era a festa de Santo António, ele protege os animais e vão à missa para serem protegidos e também ajuda as pessoas”, conta com emoção.
“Esta frase ficou-me para a vida”, confessa. Muitos anos depois, “Precisei de fazer uma tese e achei muito interessante saber o que que se faz a Santo António, em Mirandela e Macedo, e recolhi mais de 600 formas de se falar de Santo António. Desde então, tenho-me dedicado intensamente a pesquisar e a investigar tudo sobre ele”, acrescenta.
