Congresso Internacional de Espiritualidade quer dar atenção à "dimensão existencial da pessoa"
O 1.º Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, sobre ‘Finitude, sentido e cuidado’, centra-se na necessidade dos profissionais de saúde darem “atenção àquilo que é a dimensão existencial da pessoa”, dias 5 e 6 de junho, em Bragança.
“Este congresso centra-se na necessidade que temos enquanto profissionais de saúde, e enquanto profissionais de cuidados paliativos, de dar atenção àquilo que é a dimensão existencial da pessoa. Quando falamos de espiritualidade, falamos naquilo que é a essência do ser humano, naquela procura de interconexão pessoal, consigo próprio, com os outros, com o transcendente, e que torna verdadeiramente humano o cuidado”, disse Ana Querido, da comissão organizadora do congresso, hoje, dia 3 de junho, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Segundo a enfermeira Ana Querido, as pessoas ficam mais abertas às espiritualidades quando “enfrentam situações de doença grave”, que modifica planos de vida e que “têm um impacto grande naquilo que são os projetos”, despertam para a sua espiritualidade, que está sempre presente, que faz parte de cada um, “mas que de alguma forma fica mais aberta nessa altura e portanto importa um cuidado diferenciador”.
“Quando aliamos aquilo que são as intervenções que naturalmente já fazemos para o sofrimento físico, para o sofrimento psicológico e emocional, àquilo que é a verdadeira dimensão existencial das pessoas – quando trabalhamos o sentido de vida, o legado, quando trabalhamos a conexão com o transcendente, momentos de silêncio, de reflexão, de oração, momentos de conexão profunda -, quando os profissionais a trazem para o cuidado isso traz maior bem-estar”, explicou a especialista.
“Traz, eventualmente, processos de vida vividos no processo de morrer com maior tranquilidade, e que podemos acompanhar e tornar estes momentos, de alguma forma angustiantes, também para quem cuida, importantes”, acrescentou.
Para a enfermeira Ana Querido deviam existir profissionais de acompanhamento espiritual “em todas as equipas que prestam cuidados paliativos”, porque esse profissional deve “ser parte integrante das equipas”, mesmo que este cuidado especializado, diferenciador, “não seja exclusivo do acompanhante espiritual”.
“E trazemos também ao debate, as diferentes perspetivas e confissões religiosas que também conferem aos processos de vivência de doença, sobretudo de finitude e de processo de morrer, algumas especificidades que importam que os profissionais de saúde conheçam”, salientou.
O I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, com o tema ‘Finitude, sentido e cuidado’, realiza-se esta sexta-feira e sábado, dias 5 e 6 de junho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPB – Instituto Politécnico de Bragança, no Auditório Alcínio Miguel.
“Pensamos ter preparado um programa interessante, que toca diferentes perspetivas. Começamos com a abordagem da espiritualidade e na sua essência, de que forma pode ser trazida ao cuidar do outro. Focamos, numa outra mesa, especificamente as necessidades espirituais das pessoas e de que forma é que as atendemos. Temos também intervenções específicas de cuidado psicoespiritual, de processos de luto, da construção do legado”, explicou a entrevistada.
Ana Querido salienta que, no segundo dia, vão dar atenção às questões religiosas, vão juntar diferentes confissões num debate, e, “não menos importante”, dois espaços mais intimistas “ou mais vivenciais”, um de workshops, e o ‘dead dinner’, onde vão levar o tema da “morte para a mesa do jantar”, dinamizado para “em vida pensar naquilo que traz à essência”.
A enfermeira, da comissão organizadora do I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, realça que esta iniciativa traz a “mais-valia” de aliar “aquilo que é ciência e o que se está a produzir em termos científicos, àquilo que é a humanização do cuidado”, e assinala que também haverá um espaço de apresentação de pósteres e comunicações científicas.
