Diocese

Catedral de Bragança celebrou 25 anos com apelo a uma Igreja que não desista de nenhuma aldeia

Publicado por António G. Rodrigues em 08-10-2026 09:33

A Catedral de Bragança celebrou esta quarta-feira, 7 de outubro, o 25.º aniversário da sua dedicação, numa celebração em que o Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa, apelou à construção de uma Igreja mais próxima das pessoas, capaz de responder à solidão e de não desistir de nenhuma comunidade.

“Hoje não celebramos simplesmente o aniversário de um edifício. Celebramos uma Igreja viva”, afirmou o representante do Papa, que agradeceu ao Bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, o convite para participar na comemoração e transmitiu a saudação, a bênção e o encorajamento de Leão XIV.

Na homilia, D. Andrés Carrascosa recordou os momentos de oração e as celebrações que marcaram o último quarto de século da Catedral, desde batismos, casamentos e ordenações até às ocasiões em que os fiéis ali confiaram as suas dificuldades e alegrias.

D. Andres Carrascosa

Sublinhou, contudo, que a comemoração deveria ir além da memória do edifício e suscitar uma reflexão sobre o futuro da comunidade diocesana. “A Catedral está construída. Agora precisamos de continuar a construir a Igreja”, afirmou.

Uma resposta à solidão

Comunhão, participação e missão foram as três palavras que o núncio deixou à Diocese, apresentando-as como dimensões inseparáveis da vida cristã.

Num tempo em que as pessoas podem estar ligadas digitalmente e, ao mesmo tempo, sentir-se profundamente sós, o prelado defendeu que a Igreja deve constituir “uma resposta à solidão”, através de comunidades onde cada pessoa seja reconhecida, acolhida e amada.
“Que ninguém possa dizer: ‘Na Igreja não há lugar para mim’”, apelou, destacando a importância de acolher os jovens, acompanhar os idosos, apoiar as famílias e abrir as portas aos pobres, às pessoas que sofrem e àqueles que se afastaram da prática religiosa.

Para D. Andrés Carrascosa, a beleza de uma Catedral exprime-se também na fraternidade de quem a frequenta e na capacidade de oferecer uma casa a quem procura apoio, consolo ou um lugar de pertença.

O núncio rejeitou ainda uma visão dos batizados como meros espetadores, defendendo que todos têm um dom e uma responsabilidade a assumir na comunidade. Uma visita a um doente, uma palavra de consolo, o serviço de um catequista ou o tempo que um jovem dedica aos outros foram alguns dos exemplos apresentados.

Nesse sentido, explicou que o caminho sinodal não consiste simplesmente em organizar mais atividades, mas em escutar, discernir e servir em conjunto.

Missão para além das estruturas

Referindo-se às características de Bragança-Miranda, D. Andrés Carrascosa reconheceu os desafios de um território extenso, marcado por grandes distâncias, pequenas comunidades e dificuldades concretas. Considerou, porém, que é precisamente nesse contexto que uma Igreja missionária “se torna mais necessária”.

Defendeu “uma Igreja que não desiste de nenhuma aldeia”, nem dos idosos, das famílias, dos jovens ou daqueles que se afastaram, e que procura também quem, talvez, nunca entre na Catedral.

“O futuro pastoral desta Diocese não pode consistir apenas em conservar aquilo que existe. É preciso também gerar vida nova”, sustentou, desafiando as comunidades a colocar o anúncio de Jesus Cristo no centro das suas preocupações.

O representante do Papa apelou, igualmente, à coerência entre a fé celebrada e a vida quotidiana. “Não podemos receber a Eucaristia e alimentar divisões. Não podemos rezar pelo perdão e recusar perdoar. Não podemos chamar-nos irmãos e permanecer indiferentes perante quem sofre”, afirmou.

Evocando a imagem da Catedral como um “regaço materno”, um lugar que acolhe e depois envia, o Núncio lembrou que a missão continua nas casas, nas escolas, nos locais de trabalho, nos hospitais, nos lares e nas aldeias.

Na Catedral dedicada a Nossa Senhora Rainha, colocou o futuro pastoral da Diocese sob o olhar de Maria e deixou um desejo para a celebração do cinquentenário: que, dentro de outros 25 anos, se possa afirmar que o edifício continua de pé, mas, sobretudo, que a Igreja “permanece viva, fraterna, participativa e missionária”.

D. Andres

Fiéis

 

Missa

 

Bênção

D. Nuno Almeida

Anabela Anjos

Sacerdotes

Assistência

Fotos: Guilherme Moutinho

 

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