A opinião de ...

Esta democracia mata o futuro

 
 
Hoje, vou abordar três práticas democráticas, em Portugal, pelo ângulo da transparência, da ética política e de um critério de verdade política: a contratualização entre eleitores e eleitos.
Antes, porém, duas palavras. Uma para a saída da «Troika». Não estamos livres dela mas ela deu-nos um voto de confiança para continuarmos a austeridade sozinhos. Os avisos sucedem-se e, por isso, temos de estar vigilantes em relação aos vendedores de promessas.
A segunda palavra é para os benfiquistas. Não foi o ideal, o sonhado, mas foi muito bom.
E, agora o assunto de hoje. Estamos à porta de eleições para o Parlamento Europeu e os candidatos dos diferentes partidos políticos (só estes podem apresentar candidaturas) entram-nos pela casa dentro através das cadeias de televisão e interpelam-nos violentamente nas ruas para nos pedirem o voto.
São raros os candidatos que nos apresentam o seu programa. Os dos partidos tradicionalmente mais votados pedem-nos mesmo o voto dizendo mal dos outros candidatos, partidos e coligações, em vez de nos apresentarem e nos explicarem o que se propõem fazer. Assim, além de fazerem uma campanha de maledicência, pedem-nos um voto sem, em troca, nos apresentarem um compromisso de obra e de projectos a realizar. Embora seja o costume, em Portugal, em eleições nacionais, é uma doença da nossa democracia: querem o nosso voto para, depois, fazerem, jacobinamente (isto é, absolutisticamente) o que lhes apetece.
Além disso, para os candidatos de qualquer um desses três partidos, o país parece não atravessar dificuldades. Prometem o céu para terem o nosso voto e, depois, carregam-nos de problemas e impostos.
O caso mais grave e recente aconteceu este Domingo, com um dos líderes a juntar o pior de Barroso, de Sócrates e de Passos Coelho. As promessas que fez roçam a insensatez, consequência, talvez, do deslumbramento de provável vitória nas eleições do dia 25 e da disponibilidade de mais uma personalidade para uma candidatura a Belém. Até pode ser um bom candidato para ganhar mas será sempre o pior e um péssimo Presidente para o país.
A questão da transparência surgiu também esta semana pelo mau exemplo do Parlamento nacional. Legislar os próprios privilégios ocultando-os da opinião pública mas exigindo rigor e transparência aos outros, é algo não possível numa democracia pela carga de fulanismo, usura, corrupção e falta de ética que traz consigo. É próprio de príncipes, colocados no lugar do rei por obra do acaso. O exemplo que estão a dar é o passo para a morte da ética e da democracia.
Mas traz consigo uma outra ameaça de morte: a do Estado de Direito Democrático pela ausência de lei universal e de instituição do fulanismo na administração.
Cabe aqui uma frase das catilinárias de Séneca: Quo usque tandem, Catilina, abuteris patientia nostra? Até quando, Catilina (estes candidatos) abusarás(eis) da nossa paciência? Ou, dito de outro modo, quando lhes damos uma vassourada?
 

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