A opinião de ...

A crise da habitação não é de ontem nem de hoje

Uma crise como esta que atualmente se verifica em Portugal, não nasce por acaso nem por geração espontânea.
No âmbito desta preocupante realidade, no que concretamente nos afeta, a atual crise agudizou-se pelo grande défice da oferta de casas disponíveis no mercado da habitação, consequência direta da falta de investimento suficiente neste sector, uma realidade preocupante, não raro inquinada à nascença, por motivações políticas e interesses nada transparentes, de classes e de grupos, desajustados da realidade económica e financeira e da incapacidade objetiva dum país como o nosso para reparar os muitos erros cometidos por todas as forças políticas que integraram todos os sucessivos, passados que são mais de cinquenta anos depois do dia vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro.
Manifestamente mais uns do que outros, assim haja a honestidade e a coragem de o reconhecer e assumir, mas todos com demasiada e indesculpável inépcia e incompetência, as únicas coisas que os motivavam e com que se preocupavam, eram sempre escolhidas, em função dos seus interesses políticos, individuais ou de grupo ,abrir aminhos e escancarar portas, para facilitar a vida a toda a classe de oportunista, parasitas e exploradores, espremerem até ao absurdo, em proveito próprio, o evoluir anárquico e o agravamento constante dos custos da habitação, que acabaram por tornar praticamente impossível para a maioria das pessoas, o acesso a uma moradia digna, conforme as necessidades de cada individuo ou de cada família.
Será que era isto o que as pessoas queriam e esperavam de todos os responsáveis para ultrapassar esta crise? Manifestamente que não.
Pensar que para resolver a crise da falta de casas, à semelhança do que Deus fez quando criou o mundo e tudo o que existe à face da terra basta gritar a plenos pulmões “FAÇAM-SE CASAS”, isso não passa duma mera ilusão, que nunca passará disso mesmo nem levará a lado nenhum.
Segundo rezam os livros da Sagrada Escritura, isso que só estava ao alcance de Deus, já aconteceu quando ele quis que acontecesse, depositando depois o destino do mundo nas mãos de Adão e Eva, dando-lhes a obrigação e a capacidade de, com o trabalho das suas próprias mãos, poderem fazer tudo o que fosse necessário para garantirem o futuro da sua própria descendência e de toda a humanidade, e perpetuarem a obra da criação até à consumação dos séculos.
Mas aqui está o busílis desta crise, na medida em que, para haver casas para todos é necessário que haja tempo e meios para as fazer, e tenha capacidade de as construir e colocar no mercado a preços acessíveis.
Porque contestar e fazer promessas nunca foi tão fácil como agora, ainda que isso possa ser agradável de ouvir para quem espera à uma eternidade por uma casa onde possa viver digna e confortavelmente, se não houver quem desate esse nó, a esperança continuará a esvair-se por entre os dedos, deixando atrás de si duas mãos os cheias de nada.

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