A opinião de ...

Da alienação à luta pela realidade

Alguns factos que ocorreram ao longo dos 15 dias que separaram este e o penúltimo dos meus artigos merecem reflexão atenta.
A esperada eliminação da equipa portuguesa do Mundial de Futebol Profissional Sénior de 11.
Esperada por nove razões: 1) a equipa é constituída por jogadores demasiado individualistas; 2) contesta com evidência e com razão o aclamado e ultrapassado líder Cristiano Ronaldo e manifesta-o em campo; 3) não tem altura suficiente e é muito lenta na defesa e no meio-campo; 4) é frágil fisicamente; 5) os jogadores jogam em campeonatos competitivos e estavam bastante cansados; 6) o seleccionador estava desmotivado e passou esse espírito aos jogadores; 7) estava muito calor para os mimados jogadores portugueses; 8) o excesso de jogos nesta altura do ano; 9) fraca qualidade geral da equipa, abaixo do lugar que ocupa no ranking mundial, no conjunto das características gerais enunciadas. Por isso, aos meus amigos disse que teríamos dificuldade em passar a fase de grupos.
A eliminação permitiu acalmar a «doença» de futebolite que o país sofre e recentrar a discussão em aspectos mais importantes.
O Governo bem se esforçou em tapar a crise provocada pelo atraso na distribuição e correcção das provas de exame com o êxito na ajuda ao resgate de vítimas do sismo na Venezuela e ainda com a ilusória coesão dos membros da NATO na reunião de Ancara. E, atabalhoada e indevidamente, colocou o Vice-Presidente do PSD, Sebastião Bugalho, a representar o Governo na notícia de bónus financeiros aos professores pela nova sobrecarga de correcção de mais provas de exame. Já há bem tempo que eu não registava esta confusão entre Partido e Governo. Nem assim o Primeiro-Ministro saiu ileso. Em relação ao Ministro da Educação, o dia 17 dirá se ele tem de abandonar o Governo ou não. Mas pode ser que, ou o Governo ou o PSD, arranjem um golpe de retórica caso os resultados não sejam publicados até lá como prometeu o Ministro.
Foi bom saber que um estudo de um grupo de professores do ICS (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), liderado por Luísa Schmidt, analisou a evolução da população dos municípios da área da CIM-TTM e concluiu que a população desses municípios continuou a baixar, com exceção para a do Município de Bragança. Os números avançados estão em linha com as tendências dos censos dos últimos 60 anos considerando o envelhecimento, a saída de população activa e a perda de juvenilização.
Questionei os números avançados para o Município de Bragança, de uma população de 38.872 residentes, o que representaria um crescimento de 10,5% em cinco anos, em relação ao último Censo, de 2021. A ser verdade, o Município está de parabéns pois atinge a população que tinha no Censo de 1960. Mas a perda dos restantes municípios continua a alertar-nos para a ausência dos principais factores de fixação e de juvenilização da população.
Mas não de deve perder a noção da realidade: o projecto para o aeródromo é megalómano e desfocado das necessidades regionais. Gasta-se dinheiro sem retorno perdendo-se a eficácia social do investimento.

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