VI Bienal Jorge Lima Barreto celebra criação, música e memória
Nos dias 26 e 27 de junho de 2026, o Centro Cultural de Vinhais recebe a VI Bienal Jorge Lima Barreto, iniciativa dedicada à celebração da obra e do legado do músico, ensaísta e pensador Jorge Lima Barreto, figura incontornável da cultura portuguesa contemporânea.
Promovida pelo Município de Vinhais, a Bienal apresenta um programa multidisciplinar que cruza música, conferências, exposições, criação coletiva, poesia e performance, afirmando-se como um espaço privilegiado de encontro entre diferentes linguagens artísticas e de reflexão sobre a criação contemporânea.
A abertura da Bienal terá lugar na sexta-feira, 26 de junho, às 15h00, com a inauguração oficial da sua sexta edição. Às 15h30 realiza-se a conferência “Arquivos de Som e Sorriso”, por Vítor Rua, músico, etnomusicólogo, colaborador e amigo de Jorge Lima Barreto, bem como uma das figuras de referência da música experimental portuguesa.
Cofundador do projeto Telectu, juntamente com Jorge Lima Barreto, Vítor Rua participou numa das experiências mais marcantes da música experimental em Portugal. Ao longo de várias décadas, ambos desenvolveram projetos que cruzaram improvisação, pensamento, eletrónica, performance e experimentação sonora. Este percurso comum confere-lhe uma perspetiva particularmente próxima e singular sobre a obra, a personalidade e a visão artística de Jorge Lima Barreto, construída através da criação, da amizade e da partilha artística.
Ao longo dos dois dias estarão patentes diversas exposições, entre as quais “Arquivo Inquieto – Fragmentos da Vida de Jorge Lima Barreto”, a partir do acervo municipal; “Caricaturas desenhadas por Jorge Lima Barreto, anos 80/90 e inícios de 2000”, do acervo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; “Tankar | Lissabon, 2024 (50 anos)”, de Silvestre Pestana; e “Aura”, de António Barros.
A programação de sexta-feira prossegue com o concerto/ópera “A Canção das Criaturas Silenciadas”, com música de Vítor Rua e libreto de Ilda Teresa Castro. O primeiro dia encerra com o concerto de Adélia, projeto musical da região que se distingue pela fusão entre o jazz e a música tradicional portuguesa, criando uma linguagem contemporânea profundamente enraizada nas sonoridades e referências culturais do território.
A presença deste grupo reflete também a aposta do Município na valorização e divulgação de projetos musicais emergentes e diferenciadores da região, utilizando a Bienal como plataforma de promoção do talento artístico local e regional, em diálogo com propostas contemporâneas de âmbito nacional.
No sábado, 27 de junho, o programa prossegue com a apresentação da criação coletiva “Mãos que Escutam”, resultado de um desafio lançado pelo Município de Vinhais aos utentes das IPSS do concelho, à Universidade Sénior e à Unidade de Cuidados Continuados de Vinhais. Segue-se o momento musical “Entre Rendas e Melodias”, protagonizado por Romeu Beato e Leonel Fernandes.
Este projeto comunitário assume um significado particularmente especial no contexto desta edição. Ao longo de várias semanas, utentes e alunos das instituições envolvidas participaram na construção de uma peça de arte coletiva, que será apresentada e exposta sobre o piano de Jorge Lima Barreto. Desta forma, um objeto profundamente simbólico transforma-se num espaço de encontro entre memória, criação artística e participação comunitária.
Durante a tarde realiza-se ainda um workshop criativo promovido pela Escola Municipal de Música, pela Escola Municipal de Teatro e pela Associação de Jovens de Vinhais.
A noite culmina com “Poesia ao Piano”, momento em que Luís Lima Barreto declamará poesia de Miguel Torga, acompanhado ao piano por Romeu Beato. O encerramento da VI Bienal Jorge Lima Barreto ficará a cargo dos Expresso Transatlântico, um dos projetos mais relevantes da nova geração da música portuguesa contemporânea, cuja linguagem artística dialoga de forma particularmente interessante com os conceitos de cruzamento disciplinar, experimentação e identidade cultural que marcaram o percurso de Jorge Lima Barreto.
Esta sexta edição assenta em três grandes eixos fundamentais: a valorização da memória cultural, através da evocação viva e contemporânea do legado de Jorge Lima Barreto, da revisitação do seu arquivo e da divulgação de dimensões menos conhecidas da sua criação artística; o estímulo à criação contemporânea e à experimentação artística, reunindo artistas, músicos e criadores de diferentes gerações e linguagens num diálogo permanente entre tradição, inovação e pensamento crítico; e o envolvimento ativo da comunidade, através da participação direta de instituições locais, escolas, associações, músicos da região e projetos de criação coletiva que aproximam a cultura das pessoas e transformam a Bienal num verdadeiro espaço de partilha.
Para o Município de Vinhais, a cultura constitui um instrumento essencial de desenvolvimento territorial, valorização identitária e participação coletiva. A Bienal Jorge Lima Barreto representa plenamente essa visão: um projeto que honra o passado, mas que permanece orientado para o presente e para o futuro.
Esta edição contribuirá para reforçar a projeção cultural de Vinhais, aproximar novos públicos das artes contemporâneas e consolidar a Bienal Jorge Lima Barreto como uma referência nacional nos domínios da experimentação artística, da interdisciplinaridade e da criação cultural contemporânea.
A VI Bienal Jorge Lima Barreto reafirma, assim, o compromisso de Vinhais com a valorização da criação artística, da memória cultural e da experimentação contemporânea, homenageando uma das personalidades mais marcantes da cultura portuguesa e projetando o seu legado para as gerações futuras.
