Educação: por que te maltratam? (1)
O tema e o problema da educação andam em bolandas por quase todos os agentes sociais. Uns porque só querem que ela esteja a seu gosto; outros porque querem fazer dela uma arma de arremesso político; outros finalmente porque querem cuidar verdadeiramente dela e do seu conteúdo.
Estes dois temas sofrem de grande agitação actual: foi o drama da falta de professores em 2025-2026 e em 2026-2027; é o descontentamento profissional e remuneratório dos docentes; foi o drama das irregularidades na correcção dos exames do acesso ao ensino superior 2026-2027; é o drama da falta de escola e de turma para muitos alunos. É a pior percentagem de alunos pobres (3%), em 40 anos, que atingem o ensino superior. É a maior percentagem de alunos declarados deficientes, o que constitui crime contra a humanidade. É ainda o drama do abaixamento dos resultados da avaliação comparada em termos de aprendizagens até ao final do ensino básico no âmbito do Programa PISA (Programme for International Student Assessment ou Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (tradução literal) e Programa Internacional de Avaliação Comparada das Competências Escolares Básicas (tradução idiomática), da responsabilidade da OCDE.
A Educação enquanto programa de aquisição de conhecimentos e competências está em declínio profundo na e pela escola e na e pela sociedade.
A Escola, a Sociedade e a Administração da Educação estão também em crise. A crise da educação mede-se pela crise dos resultados escolares. A Escola enquanto agência de inculcação de valores está a falhar profundamente porque a Sociedade perdeu o seu rumo para dar lugar ao relativismo ético e à indisciplina onde ninguém se entende sem projecto de sociedade.
A Escola, enquanto agência de ensino-aprendizagem deixou há muito de cumprir a sua missão porque exige-se tudo aos professores e nada aos pais nem aos alunos. A Escola transformou-se numa agência de ocupação do tempo, numa agência de divertimento, num passatempo onde se propicia também a aprendizagem de todas as transgressões sociais. A imagem de escola como prisão é aqui apropriada.
Tudo isto ocorre num contexto de crise de todas as instituições a montante da Escola: a família modificou-se e falhou enquanto instituição educadora; a universidade não ensina a ensinar e ensina muito pouco dos conteúdos das disciplinas; a sociedade, atordoada, não consegue exigir a imposição de um rumo à Educação e à Escola. O Governo, atordoado, não reconhece o problema.
A crise dos resultados escolares espelha a crise da escola. Uma educação mede-se pelos resultados e estes são fracos. Os empresários atestam esta falta de qualidade ao terem de formar os seus quadros nas suas estruturas. A delinquência juvenil atesta a desestruturação comportamental e a sua inadaptação à competição e à qualidade.
Não há educação sem conhecimento; não há educação sem competências técnicas e habilidades humanas. Há que refundar a Escola, dar-lhe sentido e orientação. Há que restituir a autoridade e condições aos professores para lhes exigir cumprimento cabal da sua missão. Há que adaptar a organização escolar à diversidade dos alunos ou, então, prejudicamos gravemente a maioria deles porque nivelamos por baixo.
