A opinião de ...

Temos Papa !

Parece que foi ontem, mas já passou um ano desde o dia em que o Papa Leão XIV tomou nas suas mãos a condução dos destinos da Igreja Católica, num dos contextos sócio políticos mais conturbados da história recente da humanidade.
Das muitas e importantes intervenções de sua santidade durante a sua recente visita apostólica à Espanha, pela frontalidade, oportunidade e lucidez com que o fez, merece um destaque muito especial o discurso de despedida, proferido no porto de Arquineguin, na ilha da Gran Canária, cuja leitura aconselho vivamente.
Na impossibilidade de o transcrever na integra, vou tentar, dentro do possível, fazer uma súmula, tanto quanto possível fiel, das linhas mestras do pensamento do sumo pontífice, focando o atual fenómeno das migrações com origem no norte de África, tendo como destino, na sua quase totalidade, os principais países europeus da costa mediterrânica como Portugal, a Espanha, a Itália e a Grécia.
Sem rodeios, numa linguagem incisiva clara e direta, ao alcance de quem a quiser compreender, abordou todos os aspetos do atual fenómeno migratório, sem fim à vista, organizado e gerido, na sua quase totalidade, por poderosas redes de organizações clandestinas exploradas por mafiosos e engajadores, que cobram aos migrantes autenticas fortunas por viagens em embarcações sem qualidade, sem conforto e sem segurança, muito piores do que os camiões de transportar os animais para as feiras de gado, (e disto sei bem do que falo), quanto mais para transportar pessoas, sem lhes darem qualquer garantia de chegar vivos e salvos aos destinos dos seus sonhos.
Foi para esta escumalha de exploradores da miséria alheia que, ajudados por uma corja incontável de parasitas da mesma igualha que, seja por ação ou por omissão, nunca moveram uma palha para ajudar a acabar com esta exploração hedionda dos mais pobres de entre os pobres, que sua santidade o Papa Leão XIV, com as palavras certas na hora certa, dirigiu as suas críticas, capazes de fazer corar de vergonha, como se essa gentalha algum dia soubesse o que era a vergonha, a dignidade e o respeito pelos seus semelhantes, tanto as suas atuais primeiras as figuras, como os Putines, os Trumpes, os Aiatolas, os Xi Jipings deste mundo, e muitos outros da sua igualha, nos quais se inclui a cáfila hedionda de figurões e parasitas de segunda linha que os idolatram, na esperança de um dia poderem vir a suceder-lhes.
No pressuposto de que neste mundo nada do que é verdadeiramente importante acontece por acaso, e muito especialmente, atendendo à convicção e à veemência como referiu a necessidade de por cobro a esta tragédia humanitária, é muito difícil, se não mesmo impossível acreditar que tenha sido por um mero acaso que o Papa Leão XIV tenha aproveitado a sua viagem apostólica à Espanha para a trazer para a primeira linha das preocupações do seu pontificado, dúvida esta que, por tudo o que está em causa, tentarei desvanecer na próxima semana. (Continua)

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