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Ordens Religiosas em Bragança

O Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus, foi construído junto  à ermida/igreja do Loreto, local também conhecido por campo das Beatas. A ermida, data do século XVI, foi construída por volta de 1535, pelo padre Manuel Corvo, natural de Bragança, frade no convento de S. Francisco. Retirou-se da clausura para fundar uma ermida a Nossa Senhora, em terreno dado por Manuel Gomes Correia, fora de portas, e aí seguir a vida contemplativa. Nesta altura a  urbanização da cidade ainda não tinha atingido a atual Praça da Sé, ou praça do Colégio dos Jesuítas. Deslocou-se a Roma por volta de 1536, para obter bula do Papa Paulo III. Junto da ermida/ igreja dedicada a Nossa Senhora do Loreto, construiu uma modesta morada, um hospício e confraria, e em redor começaram a ser construídas casas de moradores que ofereciam esmolas ao hospício.
Após o falecimento do religioso, a ermida/igreja ficou devoluta, segundo acórdão da Câmara Municipal do ano de 1553, tendo esta autorizado o nobre Manuel Gomes Correia a cuidar do templo. Este terá abusado da permissão intitulando-se de padroeiro, e por iniciativa da Câmara foi proferida sentença contra o referido nobre, com o seguinte teor, “E porque tinha uma propriedade junto da mesma ermida/igreja com duas fontes que era o fundamento que tomava, lhe deu outras em troca e daquelas fez doação à igreja, como também de um campo contíguo com as primeiras, e que um mordomo daria contas cada ano ao Senado, do rendimento das propriedades, e da despesa nas obras da igreja.” 
Situação idêntica ocorreu com Bartolomeu de Albuquerque, nomeado pela Câmara como mordomo desta igreja, o zelo com que a tratou durante alguns anos, levou-o a querer ser padroeiro da igreja, situação resolvida por sentença favorável à Câmara. A 14 de outubro de 1606, o 7.º bispo de Miranda, D. Diogo de Sousa, em visita a Bragança, confirmava estar a ermida em atividade, garantida pela confraria criada pelo padre Manuel Corvo,  e por isso não via razão para que o cidadão, Bartolomeu Abreu, reivindicasse o padroado da igreja, mandando notificá-lo para devolver à confraria todos os seus pertences. Em 1634, o 8.º bispo de Miranda, D. José de Melo, confirmou pertencer o padroado da igreja à Câmara da cidade, como constava da Colegiada de Santa Maria.
A igreja ficou em ruína, foi reedificada em 1706, com maior grandeza, pelo padre João de Prada, natural de Bragança, abade de Monforte de Rio Livre (foi vila e sede de concelho, atual freguesia de Águas Frias, no município de Chaves). Junto da capela fez-se um recolhimento com tribuna para o altar, no qual assistiam algumas devotas mulheres. “E a primeira que nele entrou e o fez por sua conta foi uma honesta viúva Chamada Teresa da Cruz, da Terceira Venerável Ordem da Penitência, natural desta cidade, à qual vestiu o hábito nesta igreja, o padre pregador frei Francisco da Santa Engrácia, guardião do Convento de S. Francisco, em dia de S. José, de 1712.” 
O 27.º bispo de Bragança-Miranda (de 1793 a 1819), D. António Luís da Veiga Cabral, a 1 de novembro de 1793 fundou na aldeia de Mofreita, um Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus, em casa cedida pela primeira superiora, Maria de Jesus Manuela, destinado à educação de donzelas pobres, órfãs e desamparadas, pertencentes ao povo. No ano seguinte, a 5 de agosto de 1794, na igreja do Loreto, nas casas contíguas pertencentes à mitra, fundou outro Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus, destinado a recolher donzelas pobres, pertencentes à classe do povo, sendo sua primeira superiora Domingas de Jesus Vaz, natural de Dine.
No ano de 1798 o bispo D. António Veiga Cabral, natural de S. Salvador, Mirandela, formado no Seminário de Bragança, entrou em choque com a Inquisição, foi desterrado para fora da diocese em setembro de 1799, por decisão do Conselho Geral do Santo Ofício. Regressou à diocese a 11 de junho de 1811. Fernando de Sousa escreveu “...foi um dos prelados mais extraordinários e polémicos de toda a História da Igreja em Portugal, quiçá, aquele que mais paixões despertou e que perduraram após a sua morte durante mais tempo, devido à sua “conduta extraordinária.” 
As superioras dos recolhimentos da Mofreita e do Loreto foram presas a 20 de fevereiro de 1797, recolhidas no Aljube de Bragança (cuja pedra de armas foi recolhida no Museu Abade de Baçal pelo Dr. Raul Teixeira), mandado edificar na Rua Fora de Portas (atual Rua Alexandre Herculano) por D. Frei Aleixo de Miranda Henriques, e de seguida enviadas para os cárceres da Inquisição em Coimbra. Foram condenadas a sete anos de prisão, pelo motivo de fingirem milagres e os êxtases que praticavam. Estiveram alguns anos na prisão celular do castelo de Lisboa, tendo sido transferidas para um convento de religiosas em Coimbra.
A 29 de dezembro de 1819, a rainha D. Carlota Joaquina, filha do rei D. Carlos VI de Espanha, esposa do rei D. João VI , declarou sob sua proteção os recolhimentos do Loreto e da Mofreita. Fundou em Lisboa, o recolhimento dedicado aos sagrados Corações de Jesus, Maria e S. José, seguindo a regra dos recolhimentos do Loreto e da Mofreita. Em 1822 a Rainha D. Carlota Joaquina, chamou as duas  ex-superioras admitindo-as ao seu serviço. As religiosas que ainda permaneciam na Casa do Loreto foram transferidas a 20 de maio de 1819 para Fornos de Ledra, freguesia de Lamalonga.
Os três recolhimentos foram beneficiados por testamento da Rainha, feito a 7 de janeiro de 1830. A regente do recolhimento de Fornos de Ledra, a 12 de dezembro de 1832, colocou à disposição do bispo da diocese as casas de Recolhimento do Loreto. Os Recolhimentos resistiram ao decreto de 1834 de expulsão do país das ordens religiosas, sendo em 1910 as duas únicas casas religiosas no distrito de educação feminina, não resistiram à implantação da República. O Estado tomou conta dos seus bens, alienando-os em hasta pública.
Parte dos terrenos próximos da igreja foram loteados na década de 1980, pela Sociedade das Beatas. Foi construído um grupo de vivendas e de prédios onde se localiza o restaurante Geadas. O conjunto de prédios a nascente da Igreja foi construído pela Sociedade Emílio Esteves, no início da década de 2000, tendo a Câmara exigido a compra e demolição de casas abarracadas encostadas à igreja para aí fazer um estacionamento, garantir maior visibilidade à igreja, altura em que foi melhorada a envolvente e acessos à igreja. 
A rua Damasceno de Campos foi aberta quando da construção do viaduto do Loreto, meados da década de 1990, para desvio do trânsito, sendo os trabalhos de pavimentação de passeios, área envolvente, alargamento do arruamento para construção da ciclovia, arranjo urbanístico da envolvente do depósito da Mãe d`Água do Loreto, da capela Senhor dos Aflitos, da parcela de terreno entre a nova rua e o rio Fervença, do elemento escultórico alusivo à Ciência, e alargamento da ponte do Loreto, realizados no período compreendido entre 2008 e 2011.

Nota: Texto feito na perspetiva urbana, retirado de livro a editar pelo autor, sob o título “Bragança Urbana, das origens à  atualidade”, onde constarão as fontes de informação. 

Imagem

No canto esquerdo, a igreja do Loreto, o recolhimento e casas anexas. Foto anterior a 1930

 

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4110

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