Academia Macedense consolida projeto formativo com crescimento sustentado
O coordenador da formação do Grupo Desportivo Macedense, Patrick Simão, fez um balanço amplamente positivo do trabalho desenvolvido na Academia Macedense, sublinhando um ciclo recente marcado por conquistas, crescimento competitivo e evolução estrutural da formação.
Figura ligada há vários anos ao clube como atleta, Patrick Simão acumula atualmente funções na estrutura técnica da formação, mantendo simultaneamente a ligação desportiva ao emblema. “Fui convidado a assumir o papel de coordenador técnico da formação na época passada para alavancar a qualidade da nossa formação”, referiu.
O responsável recorda ainda a evolução de uma geração que acompanha desde os escalões mais jovens. “Comecei como treinador desta geração dos sub-17 há cinco épocas, quando ainda eram infantis”, acrescentou.
Retorno aos títulos distritais após duas décadas
A entrada de Patrick Simão na coordenação coincidiu com uma fase de forte renovação competitiva da academia, que voltou a conquistar títulos distritais em vários escalões. “O clube não era campeão distrital na formação há 20 anos. Curiosamente, a última equipa do GDM que foi campeã foram os juniores, onde eu nessa altura era jogador da equipa”, referiu.
Na época passada, o balanço traduziu-se em seis troféus distribuídos entre juniores e juvenis, incluindo taças distritais e o campeonato de futebol de praia.“Ganhámos a taça AF Bragança, a taça de encerramento e o campeonato de futebol de praia em juniores. Nos juvenis ganhámos os mesmos troféus. Ou seja, seis troféus no primeiro ano”, explicou.
Continuidade de resultados na época em curso
A época atual manteve a tendência de sucesso, com vários títulos distribuídos pelos diferentes escalões de formação.“Esta época conquistámos já em juniores a taça de encerramento. Nos juvenis, o campeonato, a taça AF Bragança e o 3.º lugar na 2.ª fase da taça nacional. Nos iniciados conquistámos o campeonato, a taça AF Bragança e a taça de encerramento e ficámos em 3.º lugar na 1.ª fase da taça nacional”, detalhou.
O dirigente destacou ainda a presença do clube em todas as finais possíveis da Taça AF Bragança. “Estivemos presentes em todas as quatro finais possíveis (infantis, iniciados, juvenis e juniores), ganhámos duas e perdemos outras duas.”
Somando os resultados, o responsável aponta para um total significativo de troféus no ciclo recente. “Até agora foram mais seis troféus e 12 troféus em dois anos é motivo de orgulho.”
Diferenças competitivas entre contexto distrital e nacional
A participação em competições nacionais trouxe novos desafios ao grupo de trabalho. “Se queres ser o melhor tens de competir com os melhores. Foi isso que a competição nacional trouxe-lhes”, afirmou.
O responsável aponta, contudo, diferenças relevantes face a outros contextos competitivos. “Infelizmente são gigantes. No distrito há poucas equipas e poucos jogos ao longo da época.”
Essa realidade, acrescenta, condiciona o ritmo competitivo dos atletas locais quando comparados com outras regiões do país.
Formação como missão central do projeto
Apesar dos resultados desportivos, a Academia Macedense mantém uma orientação centrada na formação global dos atletas. “A missão é formar jovens atletas com valores e princípios certos e dar-lhes ferramentas para poderem vingar no patamar sénior nacional”, explicou.
Os valores estruturais do projeto são também reforçados no dia a dia. “No GDM, a amizade, educação e respeito são pilares fundamentais.”
Crescimento sustentado e envolvimento da comunidade
O crescimento da formação tem sido acompanhado por um aumento do número de atletas e pelo reforço do reconhecimento externo. “Nos últimos anos tem havido um crescimento constante, tanto no número de atletas como nas conquistas desportivas. Acredito que estamos no caminho certo”, referiu. “É um orgulho e, por outro lado, uma grande responsabilidade. Penso que a Academia Macedense pode ser, deve ser, e queremos que seja uma referência transmontana. Nestas duas épocas contámos com uma média de 150 atletas, oriundos da cidade e das aldeias do nosso concelho, mas também de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Torre D. Chama, Freixo de Espada à Cinta, Mirandela e Bragança. Penso que isto expressa bem o trabalho sério que fazemos e queremos continuar a fazer. Este é, sobretudo, um projeto de consistência e muita consciência.”
O envolvimento da comunidade é, segundo o coordenador, determinante para o sucesso do projeto. “É um trabalho de equipa. Os diretores são quase todos pais de atletas e contamos com o apoio das famílias.”
Desafios estruturais e ambição futura
Entre os principais desafios, o responsável destaca limitações logísticas e humanas. “Poucos treinadores, pouca disponibilidade de pavilhão e muitos atletas para gerir.”
Ainda assim, sublinha que o contexto do interior não impede a competitividade da academia. “Prefiro dizer que é desafiante. O que não nos desafia não nos faz crescer.”
Para o futuro, a ambição mantém-se elevada. “Queremos ser competitivos e ganhar troféus. A curto e médio prazo, o objetivo passa por ter pelo menos uma equipa em provas nacionais.”
Patrick Simão conclui sublinhando o papel do projeto na região. “Queremos ser uma referência transmontana. Este é um projeto de consistência e consciência.”
Fotos: DR

