Nuno Moreno

 
 

Universidade de Bragança: Para lá do Anúncio, exige-se mais!

Há sensivelmente um ano, quem aspirava aos destinos do Município de Bragança professava, com convicção inabalável, que um mandato autárquico digno desse nome tem de deixar “obra feita”, sob pena de não o ser verdadeiramente.
Hoje, embora a criação de uma universidade não decorra diretamente da ação ou competência municipal, a associação da governação local ao desígnio nacional de ter uma universidade em Bragança, procura legitimar essa mesma aspiração de “obra feita”, e, portanto, silogismo primário (mas falacioso), de mandato autárquico sucedido!


O papel do autarca: entre o espetáculo da proximidade e a verdadeira gestão municipal

Vivemos na era do autarca em permanente estado de digressão festiva!
Em tempos de redes sociais e de uma busca incessante por validação eleitoral contínua, multiplicam-se os executivos municipais que parecem ter como principal métrica de desempenho o número de quilómetros percorridos entre inaugurações de pequenas obras, romarias, certames gastronómicos e eventos e mais eventos.
O edil do século XXI procura estar em todo o lado ao mesmo tempo: em cada arraial, em cada procissão, em cada corte de fita, e em cada pequeno acontecimento transfigurado em mega-evento local.


A Inadmissível Desqualificação do Campo do 30

Falemos do Campo do 30.
Parca e confusamente objeto de notícia, alvo de sóbria e relutante prestação de informação, ainda assim, lá fomos, edil sem pelouro, em busca do que se passa…
Então é assim:
A recente decisão de mudar o palco dos grandes festejos de Bragança, como, por exemplo, do Eixo Atlântico, por altura das Festas da Cidade, para o emblemático Campo do 30, surge, inopinadamente, como uma escolha política isolada, tomada a solo e envolta em secretismo.


O regulamento de apoios às Juntas: uma vitória do poder local democrático!

Na reunião de câmara de 24 de abril de 2026 foi deliberado, por unanimidade, a aprovação da submissão a consulta pública do Projeto de Regulamento de Apoio às Juntas de Freguesias.
Esta conquista não nasceu hoje. É o resultado de um caminho de perseverança que remonta ao mandato de 2017-2021, e, antes deste.
Mas, foi naquele mandato que a vereação socialista, através de uma voz ativa e conjunta com a, então, colega vereadora, Maria da Graça Sá Morais, batalhou, com afã, na propositura de um regulamento.
Debalde! Até hoje!


O Futuro do Poder Local: Os Eixos estruturantes, com Transparência, Escrutínio e Autenticidade

Bragança assinalou, recentemente, os 50 anos de poder local com a realização do I Fórum do Poder Local – “50 Anos de Conquistas”, uma iniciativa da Assembleia Municipal que merece o mais vivo aplauso e elogio.
Ao abrir este espaço de debate, a Assembleia não se limitou ao protocolo; teve a coragem de promover o confronto necessário entre o modelo herdado em 1976 e as exigências de 2026.
Este fórum deixou um diagnóstico claro: a nossa democracia precisa de renovação, só alcançável através de uma Reforma Autárquica profunda, e que deve assentar em eixos estruturantes.


Bragança e a Mordaça: Quando a Liberdade de Imprensa Vira Crime de Perseguição

Recentemente, alguém me contava uma história, a de que, para além de Bragança, só conhecia uma outra cidade (que por respeito não mencionarei) onde, por conta do Poder instituído, as pessoas têm real medo de falar, de expôrem as suas ideias ou de assumirem uma opinião divergente, com receio de represálias, de serem “encostadas”, ou de já não conseguirem aquele lugarzinho…
É desolador perceber que Bragança é comparada a esses redutos de silêncio forçado, onde a expressão “quem se mete com o Governo leva” passa a regra.


A democracia em Bragança: Quo Vadis?

Saía eu da última sessão da Assembleia Municipal, ainda com o eco do “golpe de teatro” a ressoar nos corredores, quando alguém se abeirou de mim. A expressão, de desalento, e o desabafo, seco e direto, fez-me fixar o olhar: “Nuno, isto vai de mal a pior. Em Bragança já não se consegue falar, nem respirar.”
Este desabafo não foi apenas um comentário de circunstância; foi o diagnóstico de uma democracia local que está em dificuldade, em défice de exercício.
São vários os apontamentos desta asfixia democrática:


Os Três últimos Pecados Mortais da “Nova” Bragança: Nomeações ad hoc, Exclusão e Imprudência

Em Bragança, recentemente, assistimos a uma trilogia de erros, autênticos pecados mortais, contra a transparência, a democracia e a economia local.
O primeiro pecado é o da “trapalhada jurídica”, em torno das nomeações feitas em Janeiro, pela Senhora Presidente da Câmara Municipal de Bragança (PCMB) para cargos de direção intermédia de 3.º grau, para, um mês depois, pedir à Assembleia Municipal que aprove os critérios de recrutamento para esses mesmos cargos, por meio de ratificação.
Ou seja, colocar o carro à frente dos bois.


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