A Inadmissível Desqualificação do Campo do 30
Falemos do Campo do 30.
Parca e confusamente objeto de notícia, alvo de sóbria e relutante prestação de informação, ainda assim, lá fomos, edil sem pelouro, em busca do que se passa…
Então é assim:
A recente decisão de mudar o palco dos grandes festejos de Bragança, como, por exemplo, do Eixo Atlântico, por altura das Festas da Cidade, para o emblemático Campo do 30, surge, inopinadamente, como uma escolha política isolada, tomada a solo e envolta em secretismo.
Longe de ser um plano pensado ou consensual, esta é uma decisão-surpresa, e com uma impressividade negativa que se intui.
A liderança executiva parece ter decidido, de forma unilateral, que o Campo do 30 já não é um espaço de memória coletiva, mas sim o tabuleiro privado de um jogo urbanístico.
O que ali se está a erguer não é progresso; é o brilho efémero das obras de improviso, rendidas à política do chamariz fácil, mediático e imediato. Numa palavra, populista.
Não se trata de uma estratégia de ordenamento do território, mas sim de uma política de “desenrasque” ou de “tapa-buracos”, mas paga a peso de ouro, que custa uma fortuna aos munícipes.
A fatura fala por si; só o preço do contrato de empreitada está fixado em 234 mil euros + IVA, o que perfaz cerca de 290 mil euros, atirados para uma solução provisória.
Se somarmos a isto a parte da obra feita na modalidade de administração direta (com recursos, maquinaria e pessoal do próprio município), cujo valor, apesar do pedido insistente, ainda hoje se desconhece, não seria de admirar que a fasquia atingisse ou ultrapassasse o meio milhão de euros.
Ora, gastar, em prognose, cerca de 500 mil euros em “remendos”, relegando o Campo do 30 à condição de salão de festas provisório, a uma espécie de “acampamento de luxo” pago a preço de ouro, é, convenhamos, um autêntico disparate financeiro e um erro de gestão municipal.
No fundo, assistimos à total inversão de prioridades, porque, sendo o Campo do 30 um espaço nobre e de excelência da nossa cidade, atrevo-me a dizer, ÚNICO, pela centralidade, a sua verdadeira vocação, a longo prazo, seria acolher um PAVILHÃO MULTIUSOS OU UM COMPLEXO DESPORTIVO MULTIFUNCIONAL.
Este último era, aliás, uma das grandes bandeiras eleitorais da atual liderança executiva municipal; uma promessa pomposa que foi traída e ficou no papel. Mais uma.
E. pior, o grosso da obra dilui-se na mera pavimentação do terreno com aplicação de betão betuminoso numa área de 1,11 hectares (11.100 m2, igual a 1,5 campos de futebol).
Diria, é obra! Derreter meio milhão de euros num tapete de betão!
Assim, em vez de cumprir a promessa e dotar Bragança de uma estrutura desportiva e/ou cultural de referência, a opção política atual passa por derreter meio milhão de euros num tapete de betão num espaço nobre da cidade.
O cúmulo do contrassenso é que esta obra, no futuro, terá de ser demolida para albergar uma infraestrutura à medida das necessidades da cidade.
Gasta-se dinheiro hoje para ter de se destruir betão amanhã.
Conceber esta obra sem um plano de viabilidade que nos explique o custo-benefício, traduz-se em três frentes gravosas:
Torra-se capital precioso em obras temporárias que não deixam qualquer rasto na cidade.
Condena-se um espaço nobre a mero contentor de festas, perdendo a oportunidade de criar uma infraestrutura cultural de valor, digna e permanente.
Ignoram-se os impactos no tecido sócio-económico, priorizando o sensacionalismo político de curto prazo.
Pergunta-se: é isto que os brigantinos querem?
Esta obra e o seu custo justifica-se por mera deslocalização de eventos, onde eles têm funcionado tão bem?
O Campo do 30 merece respeito e Bragança exige responsabilidade.
Não se pode permitir o desperdício de meio milhão de euros num tapete de betão.
A feira de vaidades não pode substituir-se a uma gestão séria e com visão!
E aos brigantinos o apelo: não se calem perante a desqualificação deste espaço
Bragança precisa de visão, não de tapetes de betão. Para mal impressionar!
