Plataforma Nordeste Vivo contra instalação de parques eólicos e fotovoltaicos no território
O Nordeste Transmontano tem um novo movimento cívico — a Plataforma Nordeste Vivo —, composto por 25 pessoas de vários setores de atividade, que promete lutar contra a instalação de parques eólicos e fotovoltaicos neste território.
O membro da Plataforma Nordeste Vivo — Movimento Cívico pelo Território do Nordeste Transmontano, José Jambas, explicou que este é um movimento cívico apartidário, composto por 25 pessoas de vários setores de atividade, que vão do turismo ao ambiente, passando pela hotelaria, por associações de agricultores e pecuaristas e por técnicos superiores de várias áreas económicas.
“A Plataforma Nordeste Vivo avança como um movimento cívico, apartidário, composto por diversos representantes da sociedade civil, unidos por um objetivo comum: a defesa intransigente do território do Nordeste Transmontano e da qualidade de vida das populações locais”, vincou.
Segundo José Jambas, o movimento pretende conhecer o ponto de situação dos projetos de hibridização das barragens de Picote, Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua, no distrito de Bragança, para as quais a empresa elétrica francesa Engie anunciou parques eólicos e fotovoltaicos de dimensões consideráveis.
“Todo este processo de implantação de parques eólicos e fotovoltaicos tem surgido de forma camuflada. Nestes projetos, não há rigor nem aproximação às populações. Têm surgido de surpresa e, quando nos apercebemos, já estão autorizados ou quase a ser construídos. Este movimento surge para que haja seriedade e transparência e para que as comunidades onde estes parques vão ser construídos tenham uma voz ativa no processo”, defendem os membros da Plataforma Nordeste Vivo.
De acordo com José Jambas, “a Plataforma Nordeste Vivo é favorável à transição energética, mas está contra a imposição da produção industrial”.
Para esta plataforma cívica, o Nordeste Transmontano “não é um espaço vazio disponível para ocupação industrial, mas uma terra de pessoas, de memória, de tradição e de equilíbrio entre a comunidade e a natureza”.
“É um território onde a agricultura, a pecuária, a caça, a apicultura, o turismo e os modos de vida rurais continuam intimamente ligados à paisagem e à cultura local”, indica o movimento cívico.
Segundo José Jambas, esta região já contribui significativamente para a produção energética nacional, acolhendo inúmeras infraestruturas que, há décadas, têm impacto nas populações e no território.
Por este motivo, a Plataforma Nordeste Vivo considera que “a implantação destes megaprojetos de energia fotovoltaica e eólica provocará impactos profundos e irreversíveis em vários setores, nomeadamente impactos diretos na saúde e na qualidade de vida das populações, perdas irreversíveis na produção agrícola e pecuária, devido à ocupação e destruição de solos férteis e de áreas de pastorícia, impactos significativos nas áreas utilizadas para a caça e perdas de conectividade entre as populações de espécies cinegéticas, entre outros”.
O movimento considera que “o que está a ser imposto vai contra toda a estratégia de desenvolvimento do território que tem sido posta em prática no Nordeste Transmontano: a aposta no turismo ligado aos valores naturais e culturais, a promoção das raças autóctones e uma agricultura que privilegia a qualidade em detrimento da quantidade”.
A Plataforma Nordeste Vivo nasce para ser a voz de um território “que não está à venda” e exige transparência total nos processos de licenciamento e aprovação dos projetos, bem como estudos de impacto ambiental rigorosos, independentes e publicamente acessíveis antes de qualquer aprovação.
