“Não posso deixar cair o Museu da Língua”
Habitação, rio Fervença, Monte São Bartolomeu, Praça Camões e Museu da Língua estão entre os investimentos abordados pela autarca, assim como a mudança do Granfondo para categoria europeia.
MDB.: Falou em 12 milhões de euros em empreitadas…
IF.: A contratação pública leva tempo: é preciso dar prazo aos projetistas, avaliar os projetos e lançar as empreitadas. Há quem ache que tudo é muito rápido. As piscinas e o Monte São Bartolomeu estão adjudicados. O concurso da ETAR de Gimonde também correu finalmente bem, depois de ter ficado deserto, como aconteceu com outros.
Na habitação, há uma novidade que ainda não tinha anunciado. Bragança recebeu zero do PRR para a Estratégia Local de Habitação. Mal tomei posse, comecei a trabalhar com o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) para perceber que financiamento poderia recuperar e que projetos tinham maturidade para apresentar. Fizemos o projeto para seis casas na Cidadela e em reunião com o presidente do IHRU, ficou estabelecido que financiarão 60%. O restante pode vir do Programa Regional do Norte, onde a candidatura já está aprovada. Os financiamentos são compatíveis e os 60% permitem libertar verba para outros projetos de habitação.
O IHRU tem ainda um projeto para dois lotes na Braguinha, junto da Brigadeiro Sarmento, em terrenos seus, destinado a habitação acessível para jovens e classe média. Acompanhei-o no Governo, porque estava inscrito no PRR, e pressionei para que avançasse logo que tomei posse. Está agora incluído no protocolo entre o IHRU e a Construção Pública. Vão celebrar um contrato interadministrativo e avançar com a obra até ao final do ano.
São os lotes 28 e 29, com 40 frações. O financiamento será a 100%, sem custos para o município. Estamos a consolidar outros projetos de habitação que queremos apresentar até ao final do ano.
Além de obra nova, os equipamentos municipais precisam de intervenções e de melhorias energéticas. Muitos nem tinham climatização. Avançámos no Centro de Ciência Viva e na Casa do Lavrador, e precisamos de olhar para o Auditório Paulo Quintela. No teatro, há um concorrente válido para a empreitada. As pavimentações estão em execução, assim como as intervenções no Museu Abade de Baçal. Estamos também a preparar o concurso da variante à ponte de Ariães (Castro de Avelãs). No matadouro, já vinha de trás a intervenção na infraestrutura. Abrimos depois o concurso para equipamento, porque não valia a pena remodelar sem o atualizar. Temos ainda o plano das redes de água da cidade, com telemetria e vários investimentos na água e no saneamento. Inclui também renovar reservatórios, como em Outeiro, Quintanilha e outros locais onde é preciso resolver o problema na origem. Não é só reparar fugas, é investir na infraestrutura. No saneamento, além de Gimonde, estamos a avançar em Faílde e Outorelo, na freguesia de Donai.
O campo do CEE está aprovado, assim como o Parque Verde da Coxa, a intervenção no rio Fervença. Há investimentos nos bairros sociais e nos parques infantis: fizemos os do Polis e da Braguinha, e colocámos outro no âmbito da revitalização do mercado. Está também a ser montada a estrutura de corta-vento na Feira Municipal, um compromisso que assumimos. Gostava que avançasse mais depressa, mas as empresas têm muito trabalho. Há ainda reparações nas aldeias, de muros de contenção, entre outras. São 12 milhões de euros em concurso e 1,3 milhões em projetos. É um impulso no investimento.
A terceira dimensão que queria destacar é devolver centralidade e protagonismo a Bragança. Penso que o conseguimos, desde logo com o eclipse solar. Mas também começámos a ter voz no espaço europeu.
Há três iniciativas distintas. Uma são os contributos para a estratégia Right to Stay, que dei em Bruxelas, onde voltarei, no âmbito do Comité das Regiões, para apresentar o exemplo de Bragança. Outra é o grupo de trabalho criado pelo Governo para definir o novo mapa do interior e o pacto para o interior.
A terceira é o projeto aprovado da OCDE para preparar o próximo Interreg. Bragança representa os territórios transfronteiriços portugueses. Em Espanha participam os grupos de ação local, e há participantes de outros países. A primeira reunião será em Paris, em novembro. É importante dar a Bragança esta visibilidade nacional e europeia.
Outra novidade é o Gran Fondo. Conseguimos transformá-lo no Campeonato Europeu de Gran Fondo da UEC, a União Europeia de Ciclismo. A última edição, em Varese, perto de Milão, teve 5000 atletas, além das famílias.
A candidatura será anunciada pela federação europeia. Será em setembro. Vamos mudar a data para ajustar ao calendário. É outro patamar: transformar uma prova consolidada, mas com tendência para perder participantes, num evento internacional.
Dividiria o balanço nestas três áreas: reorganização, projetos e obras, e centralidade de Bragança. A reorganização renova hábitos e orientações dos trabalhadores. As obras levam tempo e muitas vezes demoram um mandato inteiro. A pressão do executivo sobre os serviços é muito grande para não desperdiçarmos oportunidades.
MDB.: Quais são os projetos que vão avançar nos próximos 12 meses?
IF.: Temos muito para fazer. Estou muito no terreno e o retorno das pessoas tem sido bom. É preciso estar junto da população, além do trabalho no gabinete. Às vezes dizem que são muitos anúncios, mas, para a obra acontecer, é preciso definir o projeto, contratá-lo e lançar a empreitada. Há 12 milhões de euros em empreitadas para acompanhar.
Se me pedir três projetos para o mandato, não apenas para o próximo ano, destaco a Praça Camões, o Monte do São Bartolomeu e o rio Fervença. São prioritários, mas temos de ter consciência dos prazos. Se os concursos ficam sucessivamente desertos, a culpa não é do executivo, e há outras contingências.
MDB.: E o aeródromo?
IF.: O plano diretor foi aprovado já neste mandato. É um investimento muito grande, sem disponibilidade orçamental para o fazer de uma vez, pelo que avançaremos por fases. Adquirimos o sistema para aterragens em condições meteorológicas adversas, cuja implementação está a decorrer. Interviemos na pista e vamos agora intervir na infraestrutura, numa candidatura já aprovada.
MDB.: Mas o prolongamento de pista para já não vai começar?
IF.: Só depois, à medida que houver mais financiamento. Para já, é importante recuperar a infraestrutura, que está devoluta, com amianto e bolor, e criar condições para os passageiros, incluindo um bar.
MDB.: E o Museu da Língua? É para terminar? Já pensou em deixar cair essa obra, tendo em conta o investimento necessário?
(Entrevista completa disponível para assinantes ou na edição impressa)
