A opinião de ...

Acolher imigrantes? Sim, mas assim não! (2)

Se bem que a atual crise das migrações se faça sentir, ainda que com maior ou menor acuidade, um pouco por todo o mundo, no caso concreto da europa ocidental, e duma maneira especial em países da costa mediterrânica como Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia, este fenómeno, que não se confina exclusivamente a estes destinos, continua a crescer a um ritmo cada vez mais rápido, que se não for rápida e eficientemente controlado, nada de bom trará, tanto para os próprios migrantes, como para os países de origem e para os países que os acolhem.
Como é fácil de entender, enquanto nos países de origem não forem criadas as condições de vida necessárias, nomeadamente de trabalho, de segurança, de acesso à saúde, ao ensino, a uma habitação condigna e ao respeito pelos direitos humanos, jamais será possível evitar que os seus cidadãos embarquem aos milhares atrás dos sonhos e das quimeras que lhes são vendidas pelos submundos controlados pelos engajadores de migrantes, pelos traficantes de pessoas e pelos grandes carteis de venda de droga, provinda da América do Sul.
Sem qualquer garantia e a troco de nada, continuarão a entregar nas mãos dessa gente o seu futuro e o futuro dos seus, embarcando naquela que compraram como sendo a viagem para a terra da promissão, mas que, depois de descerem à terra, acabaria por se revelar como a viagem para as profundezas do inferno na terra.
Por isto, e não só, sem qualquer condicionante política, de origem ou de classe, sem o mínimo preconceito racista de cor ou de raça, e visceralmente oposto a toda e qualquer teoria de xenofobia, porque não se pode medir tudo pelo mesmo razão, dentro das possibilidades e das responsabilidades de cada um, e por respeito à secular tradição migrante do nosso país e do nosso povo, defenderemos sempre o princípio solidário segundo o qual, as pessoas e as instituições devem estar sempre disponíveis para, dentro das suas possibilidades, receber, apoiar e ajudar, mas com regras, quem lhes bate à porta.
Repito, receber quem lhes bate à porta, mas com regras e dentro das possibilidades de cada um, por razões de justiça simples, claras e óbvias.
Razões de justiça porque é da mais abjeta e reprovável ordinarice, considerar parasitas e subsídio-dependentes todos os imigrantes porque eles, ao contrário de tantos outros, não escolhem os trabalhos, fazem tudo o que os outros se negam a fazer, e são pessoas ordeiras e bem formadas que cumprem rigorosamente todos os seus deveres e as suas obrigações para com as sociedades que os acolhem.
Simples, como é simples a obrigação de estender uma mão amiga a todos aqueles a quem o destino e os azares da sorte, negaram o direito a viverem em paz e serem felizes.
Claras, como clara, é a obrigação de não considerar os migrantes como números abstratos, que se aceitam ou se rejeitam, conforme os interesses e o egoísmo de cada um a cada momento.

Edição
4103

Oferta para Assinantes

Cartão Moeve