ATLETISMO

Processo eleitoral da AABr envolto em contestação termina com reeleição de Rodolfo Cidré Moreno

Publicado por Guilherme Moutinho em Sex, 05/08/2026 - 20:55

O processo eleitoral da Associação de Atletismo de Bragança (AABr), realizado esta sexta-feira na sede da associação, no Pavilhão Municipal Arnaldo Pereira, terminou com a recondução de Rodolfo Cidré Moreno à presidência, mas ficou marcado por contestação, acusações de irregularidades e pela exclusão da Lista B do ato eleitoral.

A candidatura liderada por Olímpia Santos acabou afastada do sufrágio na sequência de uma deliberação datada de 6 de maio, assinada pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral da AABr, que considerou irregular a constituição do Conselho de Arbitragem apresentado pela lista concorrente.

Segundo o despacho, os três elementos indicados para aquele órgão não seriam juízes de atletismo em efetividade de funções, requisito considerado obrigatório pelos estatutos e regulamentos federativos, levando à exclusão da candidatura.

O pedido de impugnação foi apresentado pelo mandatário da Lista A, José Augusto Cidré Moreno, que sustentou que os elementos propostos não reuniam as condições necessárias para integrar o Conselho de Arbitragem.

Desta forma, apenas a Lista A foi submetida a sufrágio, apesar de a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) ter, entretanto, contestado o processo eleitoral e apelado à reversão da exclusão da Lista B.

Num ofício enviado à Associação de Atletismo de Bragança, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPA considerou que o processo apresentava "contornos, no mínimo, pouco edificantes" e alertou para o risco de irregularidades suscetíveis de "manchar a imagem do atletismo ao nível distrital".

A federação questionou, desde logo, o prazo de apenas quatro dias concedido para apresentação de candidaturas após a convocação das eleições, anunciadas a 23 de abril, considerando que tal limitou a possibilidade de surgirem listas alternativas.

Outro dos pontos contestados prende-se com o caderno eleitoral. A FPA entende que apenas deveriam integrar o universo eleitoral os clubes inscritos até 22 de abril, acusando a inclusão de clubes registados posteriormente.

Segundo a federação, os clubes com atividade e com legitimidade para integrar o caderno eleitoral seriam a Associação Recreativa Ambientalista de Caça e Pesca de Alfaião, o Centro Social Paroquial Santos Mártires, o Clube Azenhas Vivas Associação de Campismo e Montanhismo do Tua, a Vimont Associação Juvenil de Melhoramentos de Vilar do Monte, o Clube Desportivo de Miranda do Douro, o Futebol Clube de Vinhais, o Clube Atlético de Macedo de Cavaleiros, o Grupo Desportivo de Bragança, a Associação Recreativa Alfandeguense, a Associação Cultural Números100busílis, o Ginásio Clube de Bragança e o Mirandela a Correr Running Mirandela a Correr.

No entanto, participaram também no ato eleitoral a Associação Ambiental e Recreativa de Caça e Pesca de Gimonde, a Associação de Jovens Rebordelenses, a Associação Portuguesa dos Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Mirandela e o Clube Amador de Mirandela, clubes alegadamente inscritos após 28 de abril.

A federação criticou igualmente a exclusão da Lista B sem que tivesse sido concedido prazo para suprir eventuais irregularidades formais, recordando que o artigo 10.º do Regulamento Eleitoral prevê um período de até três dias para correção de falhas nas candidaturas.

No final do ato eleitoral, José Augusto Cidré Moreno, mandatário da Lista A, garantiu que "as eleições correram na normalidade", revelando que participaram 15 dos 17 clubes inscritos, registando-se oito votos a favor da Lista A, dois votos em branco e cinco votos nulos.

Sobre uma eventual impugnação, mostrou-se tranquilo. "Todos os cenários são possíveis e próprios de uma democracia, estamos tranquilos e nada preocupados", afirmou.

Quanto às críticas da Federação Portuguesa de Atletismo, José Augusto Cidré Moreno considerou que "não foi nada desrespeitado", defendendo que a direção procurou garantir "legalidade, ética e idoneidade".

O responsável defendeu ainda a exclusão da Lista B do processo eleitoral, alegando irregularidades na sua constituição. "O ato eleitoral não pode ficar refém de um órgão que ficou ilegalmente constituído, onde a Lista B apresentou um Conselho de Arbitragem sem juízes no ativo, o que é obrigatório. Além disso, a candidata foi excluída por acumular irregularidades, tendo desempenhado funções como técnica da AABr até 2008, num processo que envolveu a FPA e que levou ao seu afastamento voluntário", afirmou.

Já Olímpia Santos classificou o processo como 'surreal' e acusou a direção da AABr de desrespeitar as orientações da federação.

A polícia foi chamada ao local pela Lista B, após o mandatário da candidatura ter alegadamente sido impedido de permanecer na sala durante o ato eleitoral e de terem sido levantadas objeções à participação de clubes que, no entendimento da candidatura, não deveriam integrar o caderno eleitoral.

"São regras deles para eles", afirmou, considerando ainda que a candidatura de Rodolfo Cidré Moreno a um quarto mandato consecutivo viola os próprios estatutos da associação.

A candidata confirmou também a intenção de avançar judicialmente para impugnar o ato eleitoral. "Vamos agir judicialmente para impugnar este ato eleitoral, numa situação que vamos articular com o nosso advogado e só queremos aplicar as regras eleitorais" , concluiu.

Fotos: Guilherme Moutinho

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