Bragança

Museu estreou documentário sobre o Abade de Baçal

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 05/21/2026 - 10:26

Intitula-se “Contar os passos, ouvir o vento - um retrato do Abade de Baçal” e é o documentário sobre esta figura notável do distrito de Bragança, que teve antestreia no sábado à noite, no auditório Paulo Quintela, em Bragança.

Trata-se uma curta-metragem, com cerca de 15 minutos, com argumento e realização de Eduardo Brito, música de Filipe Raposo e imagem de Pedro Bastos, encomendado pelo Museu do Abade de Baçal (MAB).

“Este filme vem na sequência de um projeto chamado Património Cultural 360, financiado também pelo PRR, que incluía digitalização em 2D e 3D de grande parte do acervo das coleções do Museu do Abade de Baçal, e a produção de um filme. Evidentemente, a escolha recaiu imediatamente sobre a figura do Abade de Baçal, o patrono do museu”, explicou o diretor do MAB, Jorge Costa.

Para o realizador, Eduardo Brito, este “foi um processo muito bonito de ter estado cá durante um ano”. “Sou de Guimarães, vivo no Porto, mas conheço bem Bragança, mas isto também criou uma relação muito íntima e muito ternurenta com a cidade e com a região”, sublinhou, em declarações ao Mensageiro.
Eduardo Brito frisa que este filme pretendeu traçar um retrato da figura de Francisco Manuel Alves, que viria a ficar conhecido como o Abade de Baçal.

“Começamos a montar este retrato, ou seja, o título “Contar os Passos, Ouvir o Vento” tem muito a ver com os retratos, com o texto que o Abade escreve sobre si próprio, mas também quando o subtítulo “Um Retrato do Abade de Baçal” também transmite uma visão subjetiva. Esta visão subjetiva, o retrato, também é um ponto de vista, seja o meu, seja o seu, seja de quem for. Escolhemos um ângulo e vemos por esse ângulo. Há outros que ficam por ver, claro que sim, há um lado historicista que não é aquilo que me interessa também nesta descoberta, mas também esta viagem pessoal que depois me faz descobrir uma figura como o Abade e tentar que isso se note na medida do essencial, mas não se note também na medida do verdadeiramente importante, que é as pessoas terem uma ideia e ficarem curiosas pelas atmosferas, pela vida, pela obra e pelos caminhos do Francisco Manuel Alves”, explicou Eduardo Brito.

O realizador admite que “conhecia a figura do Abade”, mas “este lado da vertigem das listas, desta obsessão pelo elenco” deixou-o fascinado. “Pelo caminho - eu gosto imenso de caminhar - pelo lado de “vamos caminharmos”. E isso fez-me pensar: “E’pá, quem é esta pessoa que contou os passos que deu? Quem me dera ter feito isto e agora tenho aplicações e nunca o fiz.” Mas este lado da obsessão pelas listas, pelo elenco, pelo catálogo, pela descoberta, fez-me também ficar com muita ternura e muita simpatia e muita admiração pelo Abade de Baçal”, frisou.

Segundo adiantou Jorge Costa, o objetivo, agora, é candidatar este filme a diversos festivais.

“É nosso objetivo candidatá-lo a festivais de curtas. O filme há de aparecer aí em vários festivais, que nos interessa também divulgar o filme e, sobretudo, a figura do Abade de Baçal. Este filme, depois de ficar, obviamente, e terminado todo esse processo, estará em exibição permanente no museu”, explicou Jorge Costa.

O filme integra imagens, cedidas pela Cinemateca Portuguesa, da Festa do 70º Aniversário do Abade de Baçal, realizado por Salazar Dinis, em 1935, e produzido pelo SPN – Secretariado da Propaganda Nacional, e que são o único registo animado do Abade de Baçal.

Esta antestreia integrou as festividades do Dia Internacional dos Museus, que o MAB assinalou no domingo, com visitas guiadas, a construção do Mural União e Paz e um concerto realizado pelo coro BriChoirT, do Conservatório de Música e Dança de Bragança, que integrou uma ação alargada com 26 concertos e 35 coros em simultâneo numa atividade conjunta da Museus e Monumentos de Portugal, que decorreu em simultâneo em 26 museus, monumentos e palácios da rede nacional.

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