Chega considera “extremamente grave” perda de financiamento de estrada para Espanha
A presidente da estrutura distrital do Chega em Bragança, Cecília Ferreira, considera “extremamente grave a perda do financiamento do PRR destinado à ligação rodoviária entre Bragança e Puebla de Sanábria, um projeto que representava uma das mais importantes infraestruturas estratégicas para o desenvolvimento do Nordeste Transmontano nas últimas décadas”.
“Estamos perante a perda de uma ligação internacional estruturante que permitiria conectar diretamente Bragança à autoestrada espanhola A-52, principal eixo rodoviário do noroeste de Espanha, criando uma ligação rápida a cidades como Zamora, Benavente, Vigo e Madrid, bem como à estação ferroviária de alta velocidade de Sanábria, integrada na linha AVE espanhola”, sublinhou Cecília Ferreira, em nota enviada ao Mensageiro.
A mesma responsável lembra que “esta infraestrutura reduziria significativamente os tempos de deslocação entre Bragança e os principais centros logísticos e económicos da Península Ibérica, aumentando a competitividade das empresas do distrito, facilitando exportações, atraindo investimento e reforçando o potencial turístico do território”.
Para a presidente da Distrital do Chega, a perda de quase 30 milhões de euros representa “não apenas um fracasso político e administrativo, mas também uma oportunidade perdida para melhorar a coesão territorial entre Portugal e Espanha; reforçar a integração transfronteiriça; captar investimento empresarial e industrial; potenciar o turismo de natureza, gastronómico e cultural; criar melhores condições de mobilidade para residentes e empresas e combater o despovoamento e envelhecimento do Interior”.
“Importa recordar que o distrito de Bragança continua a sofrer fortes limitações ao nível das acessibilidades. Apesar da existência da A4, o território permanece afastado das principais redes ferroviárias nacionais e europeias, tornando esta ligação a Sanábria particularmente estratégica, sobretudo pela proximidade à rede espanhola de alta velocidade”, sublinha o Chega, na mesma nota.
Cecília Ferreira lembra que “é igualmente preocupante verificar que o custo inicialmente previsto para a obra, na ordem dos 16 milhões de euros financiados pelo PRR, já terá aumentado para cerca de 30 milhões de euros, refletindo atrasos acumulados, indefinições administrativas e ausência de execução dentro dos prazos exigidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência”.
Para Cecília Ferreira, “mais grave ainda é o facto de o Município de Bragança já ter suportado encargos financeiros relacionados com a elaboração do projeto de execução, a revisão técnica do projeto, estudos ambientais; processo de Avaliação de Impacte Ambiental; procedimentos administrativos e técnicos associados à candidatura”.
“Ou seja, existe investimento público já realizado sem garantia efetiva de concretização da obra”, destaca.
Por isso, “o Chega exige total transparência sobre este processo, esclarecimentos públicos sobre as responsabilidades pelos atrasos e garantias concretas de que o projeto não será definitivamente abandonado”.
