Dois nevões no espaço de cinco dias pintaram a região de branco como há muito não se via e encerraram escolas e isolaram algumas aldeias
Aldeias isoladas, transportes públicos parados, escolas encerradas. Este foi o cenário no Nordeste Transmontano devido a dois nevões que atingiram a região, sexta-feira, primeiro, e já esta quarta-feira, depois, que obrigaram à atuação dos serviços de proteção civil para tornar as estradas transitáveis e distribuir alimentação em algumas aldeias mais isoladas.
Montesinho, na freguesia de França, em Bragança, é uma das aldeias mais altas do país, a uma cota superior aos mil metros, e ficou isolada, sobretudo na sexta-feira, dia em que também o abastecimento de eletricidade nesta freguesia esteve interrompido durante várias horas.
Ainda na sexta-feira, os transportes públicos foram suspensos em Bragança e as escolas estiveram sem atividade letiva.
Já esta quarta-feira, encerraram as linhas rurais de transportes públicos até às 12h30 e as escolas das aldeias e da vila de Izeda não abriram.
Nos pontos mais altos da serra de Montesinho, a neve caiu com bastante intensidade, sobretudo a partir da aldeia de França.
Chegar a Montesinho só mesmo numa viatura de todo-o-terreno, enquanto o limpa-neves do município não foi abrir caminho.
Enquanto isso não aconteceu, foram poucos os habitantes que se atreveram a sair à rua, como testemunhou o Mensageiro.
Luís Afonso, reformado, nascido e criado em Montesinho, ainda saiu para “ir dar de comer a uns animais”. Porque, de resto, “com este tempo não se faz nada”.
“É acender o lume e ficar à lareira”, sentenciava, em conversa com o Mensageiro.
“Já há uns anitos que não víamos uma nevada tão tamanha como esta. A aldeia está praticamente isolada, só passam carros de tração às quatro rodas. Mas o limpa-neves não deve demorar. A continuar assim, ainda é capaz de arranjar algum ‘31’”, antevia.
