Autarca reclama maior compromisso do poder central para com os territórios de baixa densidade
O presidente da Câmara de Alfândega da Fé reconhece que ter sido “vital” o papel do poder local no desenvolvimento dos territórios de baixa densidade nos últimos 50 anos. “Não existia qualquer serviço básico de apoio, saneamento, água potável, as acessibilidades eram horríveis, ou eram quase inexistentes”, lembra Eduardo Tavares.
O trabalho dos Municípios levou a uma “transformação notável, ao nível dos equipamentos básicos, equipamentos ligados à economia, dos nossos mercados, dos recintos da feira, zonas industriais, equipamentos culturais, como casas da cultura e bibliotecas, os equipamentos desportivos, investimento na educação e outros”, conta.
No entanto, admite que o grande problema continua a ser o despovoamento. “Se por um lado, o concelho tem agora melhores condições, também não tem conseguido fixar pessoas”, lamenta.
O concelho perdeu mais de três mil habitantes nos últimos 50 anos e se os Municípios “fizeram o seu trabalho”, o autarca entende que isso não aconteceu da parte do Poder Central. “Os sucessivos governos não tiveram a estratégia capaz e suficiente para contrariar esta tendência que os nossos territórios tiveram nas últimas décadas”, acrescenta.
“Temos assistido nas últimas décadas, a episódios pontuais de descentralização, que não vêm devidamente acompanhados por envelopes financeiros, e depois também por medidas desgarradas que não trazem coerência, nem têm sequência”, acusa.
Ainda assim, Alfândega da Fé também é conhecida pelo espírito resiliente das suas gentes. Adriano Andrade, empresário agrícola, decidiu investir na terra onde nasceu. “É um território muito bom para novos investimentos agrícolas, e decidi instalar-me como produtor de cereja”, diz o também dirigente da Cooperativa Agrícola que liderou o processo que levou à certificação da cereja como Indicação Geográfica Protegida (IGP), conseguida há três meses. “É uma mais-valia para aferir da qualidade do nosso produto”, diz.
Explica que o principal fator “diferenciador” desta cereja passa pelos solos serem “de origem de xisto, o que dá complexidade maior à cereja, equilibra a acidez com a doçura, e quando as pessoas provam identificam logo traços específicos da nossa região”, afirma.
Este ano, a produção de cereja temporã teve quebras, “porque são mais suscetíveis às chuvas, mas virão as cerejas de junho, que por norma têm sempre uma boa produção”, acredita.
Mesmo a tempo, da festa do fruto, de 5 a 7 de junho, com um investimento do Município de 300 mil euros, que vai contar com 130 expositores e terá espetáculos musicais com destaque para Carolina Deslandes e Ivandro.
