Era bom, era, só que não há como chegar lá!
Com o período das férias de verão a chegar ao seu fim, a grande maioria dos portugueses, que ainda conseguiram gozar alguns dias de descanso, prepara-se agora para, a semelhança dos anos anteriores, regressar aos seus empregos e reiniciar mais um ano de trabalho, com as mesmas dúvidas de sempre.
Tudo bem, poderá alguém perguntar, mas afinal, onde estão as faltas e as dúvidas, pergunta essa que me atrevo a corrigir, porque, em vez duma simples dúvida académica, num país como o nosso onde, ao que consta, ou fazem constar, falta quase tudo, as dúvidas e as faltas são tantas e duma tal ordem de grandeza, mais que suficientes para tirar o sono até aos mais distraídos. Se não vejamos.
Policias não há, Guardas Prisionais e da GNR não há;
Professores bem preparados para o exercício das suas funções não há;
Boas escolas e instalações para as guardas e polícias não há;
Médicos e enfermeiros porque ninguém sabe por onde andam não há;
Novos hospitais e boas condições de trabalho nos existentes não há;
Novas escolas e boas condições de trabalho nas atuais não há;
Pessoal especializado escolas para alunos especiais não há;
Ambulâncias modernas para o INEM e equipamento para as forças armadas, bombeiros e proteção civil não há;
Empregos adequados para maioria dos recém-licenciados não há;
Segurança nas noites de copos, de borga etc. das cidades não há;
Compressas, gazes, pensos, algodão em rama, talas, anilhas, parafusos, vedantes, serrotes, martelos, berbequins, alicates, tesouras, anestésicos, desinfetantes nos blocos operatórios da ortopedia e traumatologia dos hospitais, etc., não há;
Consumíveis indispensáveis nos hospitais e centros de saúde não há;
Mão de obra nacional e quem queira trabalhar neste país não há;
Políticos responsáveis, competentes com espírito de missão não há;
Preocupação com os idosos, com as crianças e os deficientes não há;
Atualização do poder de compra com a taxa de inflação não há;
Políticos que digam a verdade e não aldrabem o povo, não há;
Políticos com estatura e formação moral e cívica adequada não há;
Polícias na rua suficientes, armados e motivados não há;
Ponta opor onde se pegue tanto na saúde com na justiça não há.
Mas não vamos desanimar porque, para compensar tantas faltas e carências, sobram assaltos, traficantes e consumidores de drogas, assédios sexuais, crimes de violência doméstica, roubos, vigarices, espertices, assaltos e um nunca mais acabar de um rol de vergonhas e misérias tão grande que, a não ser travado enquanto ainda for tempo, acabará por reduzir a uma dolorosa saudade um país com séculos de história imortal, terra de mártires, de heróis e de santos que tantos mundos deu ao mundo.
Assim todos o queiramos.
