O primeiro passo não é o fim do caminho
Seis anos depois de um Conselho de Ministros de má memória para Portugal, Bragança voltou a receber a reunião magna do Governo, agora com Luís Montenegro a presidir aos trabalhos depois de António Costa o ter feito há seis anos, em vésperas de o país entrar em confinamento devido à pandemia de Covid-19 que se começava a instalar.
Agora, com uma presença menos musculada na região (na altura, o Governo em peso passou três dias pelo Nordeste Transmontano a visitar empresas e instituições), Luís Montenegro fez questão de vir à terra do seu pai (natural de Rabal, em Bragança), anunciou o pontapé de saída do processo de análise técnica que levará, espera-se, à criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior.
A formalização feita ontem foi apenas essa e ainda não a criação em si da Universidade.
Não confundir com o estatuto de Universidade Politécnica, conferido à grande maioria dos Institutos Politécnicos do país (foram 14), uma operação de cosmética destinada ao consumo externo.
Já a passagem a Universidade plena não o será em pleno pois apenas dois centros de investigação, de excelência, o CIMO e o CEDRI, passarão, de facto, a esse estatuto, mantendo-se o restante da instituição no degrau politécnico.
Um sistema híbrido que promete causar muitas fricções entre colegas.
A alteração, na prática (para além da designação) vai implicar a refundação (novamente) da atual UPB, antigo IPB, que nascerá com novos estatutos e, portanto, uma nova instituição. Ao deixar de ser instituto, deixou de ter presidente e passou a reitor (com diferente remuneração).
As carreiras docentes (em termos de vencimento) pouco diferem nos dois regimes (mas diferem alguma coisa ao final do mês), assim como no número de horas lecionadas.
A grande diferença deverá traduzir-se no financiamento pago pelo Estado por cada aluno da instituição.
Espera-se que isso se traduza numa melhoria de recursos disponíveis para aplicar e investir na região.
A pretensão já vinha sendo propalada há mais de 20 anos, com um congresso transmontano pelo meio, com o Primeiro Ministro de então, Durão Barroso, como convidado de honra precisamente para lhe ser 'vendida' a ideia, que não vingou.
Agora parece ser de vez, naquela que, como assinalou o antigo presidente da instituição e ex-governante, Sobrinho Teixeira, ao Mensageiro, se trata da primeira promoção do género baseada no mérito e não numa simples decisão política.
Uma decisão que seria bem mais simples de explicar do que a do Politécnico do Porto, por exemplo, cidade onde já existia uma Universidade bem instalada.
O Interior começa, assim, a ganhar alguma voz, no meio de um processo de emudecimento constante, que tem sido gritante ao longo dos últimos ano.
Por cá ficaram outras promessas, como a da ligação à Sanábria ou da barragem de Parada, que podem contribuir para elevar um pouco mais a voz da região... mas sem ficar rouca...
