A opinião de ...

Acolher imigrantes? Evidentemente que sim, só que assim, não!

Pelas melhores, e infelizmente, também pelas piores razões, o problema das migrações voltou a ocupar as primeiras páginas dos jornais e a merecer honras de abertura em tudo o que é tempo de informação nos canais das televisões.
Pelas melhores razões, pela oportunidade de ouvir a homília proferida em Fátima na noite do dia treze de agosto pelo Núncio Apostólico da Santa Sé em Portugal, que este ano presidiu às cerimónias do dia treze de agosto, especialmente dirigida aos muitos milhares de emigrantes que, vindos um pouco dos quatro cantos do mundo, com natural e compreensível predominância dos emigrantes portugueses, que ano após ano, continuam a aproveitar as suas férias para revisitar o santuário de Fátima.
Pelas piores razões, porque um problema desta magnitude, que afeta um número astronómico de pessoas, impossível de quantificar com um mínimo de rigor e de credibilidade, que devia fazer corar de vergonha os responsáveis de todos os países, regimes, sistemas políticos e credos religiosos, continua a ser tratado pela pior maneira possível.
Continuar a tratar os migrantes como números, mais ou menos manipulados exclusivamente para fins estatísticos, esquecendo que em cada emigrante, está sempre alguém que, mesmo condicionado e limitado pelas fragilidades, limitações, necessidades, responsabilidades, direitos, deveres e obrigações inerentes à sua condição humana, está sempre uma pessoa que tem pátria e tem família, que tem sentimentos, que tem alma, que chora e que ri, que ama e que odeia, e que, como todas as pessoas, tem pleno direito a ser respeitada e usufruir de todas condições suficientes dar asas aos seus sonhos e anseios de um dia poder ser feliz.
Só dentro deste contexto será possível encontrar a resposta adequada à atual crise migratória que, a não ser resolvida em tempo útil, pode fazer colapsar o atual equilibro socioeconómico mundial, do que é exemplo a recente tentativa de invasão da cidade de Ceuta.
Da mesma razão de que encontrar uma solução milagrosa para um problema desta dimensão não é nada fácil, também nada justifica que se meta a cabeça na areia e se opte pela atitude mais cómoda de ficar sentado na soleira da porta sem mexer uma palha, esperando que as soluções caiam do céu e que com o tempo tudo se irá resolverá.
Tendo permitindo que este problema atingisse a dimensão dantesca que realmente atingiu, seja por interferência criminosa de uns tantos, ou por desleixo igualmente censurável de muitos mais, está na hora de todos assumirem as suas responsabilidades e de dizer basta.
A partir de agora, que as coisas já não vão a lado nenhum só com paninhos quentes e chá de cidreira, perdoe-se-me a dureza da expressão popular, é chegada a hora de “pegar os bois pelos cornos” e fazer tudo o que tiver e puder ser feito tanto em favor dos imigrantes, como dos países que os acolhem.(Continua)

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4102

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